A agência Moody’s alterou a classificação de crédito do Banco de Brasília (BRB) de BBB- para CCC+. Anunciada na quarta-feira (01/04), a mudança transfere a instituição financeira da categoria de médio risco para alto risco de inadimplência. A decisão se baseia na fragilidade creditícia do banco e na ausência de estratégia definida para recomposição patrimonial.
A nota atual permanece sob análise para possível redução adicional. A revisão dependerá das medidas de capitalização implementadas e do desfecho das apurações sobre operações com o Banco Master.
Esta é a terceira redução consecutiva na avaliação de crédito do BRB em menos de cinco meses. A Fitch havia diminuído a nota de B- para CCC em novembro de 2025. A S&P realizou movimento similar em 19 de março de 2026, rebaixando a classificação de BB para B-.
O banco descumpriu o prazo regulatório para divulgação das demonstrações financeiras de 2025. A data limite era terça-feira (31/03), conforme estabelecido para companhias de capital aberto. A ausência desses dados ampliou as incertezas sobre a situação patrimonial da instituição.
As apurações em andamento indicam que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do Banco Master, instituição de Daniel Vorcaro. O prejuízo real dessas transações permanece indefinido devido à falta de publicação do balanço anual.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, informou que formalizará pedido de empréstimo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões a outras instituições bancárias. Em 24 de março, o banco já havia solicitado R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalização.
A Moody’s justificou o rebaixamento pela necessidade provável de injeção de capital, agravada pela inexistência de plano estruturado para recuperação patrimonial. A agência afirmou que “o patamar atual de rating reflete a nossa visão de que a qualidade de crédito do BRB é muito fraca em relação a outras entidades nacionais e provavelmente está perto de default, sem a concretização de um aporte de capital”.
A piora na classificação “reflete a provável necessidade de injeção de capital, intensificadas pela ausência de um plano de recomposição após perdas com ativos provenientes dos ativos adquiridos do Banco Master”, segundo a Moody’s.
Sobre o volume de recursos necessários, a agência destacou que “sem a divulgação de dados financeiros desde junho de 2025, ainda é incerto o volume necessário de capital, no entanto, ao menos R$ 6,6 bilhões são desejados para a recomposição do patrimônio do banco”.
Leia mais: Páscoa 2026 mantém vendas aquecidas com consumidor mais seletivo




