O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, sofre pressão externa pela privatização do banco, segundo o jornal Folha de São Paulo. A declaração foi feita durante uma reunião com deputados distritais nesta segunda-feira (2/3).
O encontro na Câmara Legislativa tratou do projeto de lei do governo Ibaneis Rocha (MDB) para capitalizar o banco após perdas em operações envolvendo o Banco Master.
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Nelson de Souza apresentou aos parlamentares o plano de capitalização da instituição. O projeto prevê a criação de um fundo imobiliário com propriedades do governo do Distrito Federal. Existem negociações avançadas para comercialização de cotas desse fundo, segundo o presidente, conforme informações da Folha de S.Paulo.
A estratégia inclui a comercialização da Financeira BRB. A subsidiária atua principalmente em crédito consignado e financiamento de veículos. A operação deve render R$ 1,1 bilhão ao banco. O plano foi apresentado a representantes do Banco Central em encontros recentes.
Os ativos originários do Banco Master ainda não foram comercializados. O presidente informou aos deputados que o montante de R$ 21,9 bilhões permanece sem comprador.
Nelson de Souza rejeitou críticas de que a proposta governamental representa um “cheque em branco”. O dirigente alertou para uma paralisia generalizada dos serviços do banco caso a Câmara Legislativa não aprove o projeto.
A rejeição da proposta provocará interrupção imediata na transferência de renda dos programas sociais operados pelo BRB, a paralisação do sistema de bilhetes do transporte público do DF, e suspensão das operações de crédito imobiliário, segundo o presidente do banco.
Deputados da oposição interpretaram a declaração como ameaça. Parlamentares avaliaram que a fala demonstrou desespero do banco pela necessidade de solução. A definição precisa ocorrer até o fim de março, quando o BRB publicará seu balanço. A informação foi relatada à Folha por duas pessoas a par do debate.
A associação de advogados do BRB elaborou nota técnica sobre a situação. O documento aponta risco concreto de intervenção ou liquidação extrajudicial pelo Banco Central caso o projeto não seja aprovado. A análise também menciona possível interrupção de linhas de crédito e serviços.
Em fevereiro, o BRB apresentou ao Banco Central diversas alternativas de capitalização. As opções incluem venda de carteiras de crédito de boa qualidade do Banco Master. Também constam empréstimo com consórcio de bancos e empréstimo com o FGC. A criação de fundo imobiliário com ativos do acionista controlador, o governo do DF, completa as alternativas. O banco dispõe de até 180 dias para implementar as ações apresentadas.
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