CNI alerta que redução da jornada de trabalho pode aumentar preços e custar R$ 76 bilhões

Estimativas da entidade indicam que os preços ao consumidor podem subir mais de 6% com a redução da jornada

Por Redação TMC | Atualizado em
Trabalhadores da indústria trabalhando
Indústria (Foto: Agência Brasil)

A possível redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode gerar uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o equivalente a R$ 76,9 bilhões, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (07) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O estudo avalia os impactos de propostas em discussão no Congresso Nacional e aponta que a medida tende a elevar custos, pressionar preços e reduzir a competitividade da economia brasileira.

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Indústria deve ser a mais impactada

De acordo com a CNI, a indústria será o setor mais afetado, com retração estimada de 1,2% no PIB setorial, o que representa uma perda de R$ 25,4 bilhões.

Na sequência, aparecem:

  • Comércio: queda de 0,9% (R$ 11,1 bilhões)
  • Serviços: retração de 0,8% (R$ 43,5 bilhões)
  • Agropecuária: queda de 0,4% (R$ 2,3 bilhões)
  • Construção: retração de 0,3% (R$ 921,8 milhões)

O impacto, segundo a entidade, ocorre principalmente pelo aumento do custo do trabalho, que tende a se espalhar por toda a cadeia produtiva.

Perda de competitividade e risco à indústria nacional

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a redução da jornada pode intensificar um cenário de perda de competitividade da indústria brasileira. “A maior redução das horas trabalhadas aumentará a exposição brasileira ao mercado externo, com perda de participação tanto no mercado doméstico quanto internacional”, afirma.

Segundo ele, o movimento pode resultar em queda das exportações e aumento das importações, ampliando desafios estruturais já enfrentados pelo setor.

Preços podem subir mais de 6%

Outro efeito relevante apontado pela CNI é a pressão inflacionária. Estimativas da entidade indicam que os preços ao consumidor podem subir, em média, 6,2% com a redução da jornada.

Entre os principais impactos:

  • Compras em supermercado: alta de 5,7%
  • Produtos agropecuários: aumento de cerca de 4%
  • Produtos industrializados: alta média de 6%
  • Roupas e calçados: aumento de até 6,6%

A elevação ocorre tanto nos produtos finais quanto nos insumos e matérias-primas, afetando empresas e consumidores.

Debate no Congresso

A entidade afirma que acompanha a tramitação de propostas sobre o tema no Legislativo e defende que o debate seja conduzido com base técnica. Para Ricardo Alban, mudanças estruturais como a redução da jornada devem considerar fatores como produtividade, disponibilidade de mão de obra e impactos econômicos de longo prazo. “A discussão é legítima, mas o Brasil ainda enfrenta baixa produtividade em comparação a outros países e escassez de trabalhadores. Não é o momento adequado para essa mudança”, afirma.

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