O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28/01) manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, ao final da primeira reunião de política monetária de 2026. Com a decisão, os juros permanecem no maior nível desde 2006 e completam a quinta reunião consecutiva sem alteração.
Mesmo com a desaceleração do IPCA-15 em janeiro, o Banco Central avaliou que o movimento ainda não é suficiente para antecipar o início de um ciclo de cortes na taxa básica. O indicador prévio da inflação mostrou arrefecimento no início do ano, mas a leitura predominante é de que a convergência para a meta ainda exige cautela na condução da política monetária.
Entre os fatores que pesaram para a manutenção dos juros estão a inflação de serviços ainda pressionada, especialmente a ligada ao mercado de trabalho, além do nível historicamente baixo de desemprego. Esses elementos indicam uma atividade econômica resiliente, o que limita uma flexibilização mais rápida da política monetária.
O Copom também levou em conta o cenário internacional, marcado pela manutenção dos juros nos Estados Unidos, e o ambiente doméstico, que inclui incertezas fiscais e a proximidade do ciclo eleitoral de 2026. Esses fatores tendem a aumentar a volatilidade dos mercados e influenciar as expectativas de inflação.
Com a decisão, o Banco Central sinaliza que seguirá acompanhando a evolução dos indicadores econômicos e inflacionários antes de promover mudanças na Selic. A avaliação é de que eventuais cortes dependerão da consolidação do processo de desaceleração da inflação e de maior segurança quanto ao equilíbrio do cenário econômico nos próximos meses.
A decisão ocorreu em uma “superquarta”, com reunião simultânea do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, que também manteve os juros básicos, fator que contribui para a postura cautelosa adotada pelo Banco Central brasileiro neste início de ano.
