Após frustrar governo com corte tímido na Selic, BC não emite sinais claros sobre próxima reunião

Redução de 0,25 ponto percentual marca início do ciclo, mas BC condiciona novas reduções ao cenário externo

Por Redação TMC | Atualizado em
Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo
(Foto: Alexandre Boiczar/Banco Central)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil iniciou o ciclo de queda dos juros, mas adotou um tom cauteloso e sem compromissos futuros claros — o que gerou frustração em integrantes do governo e aumentou a incerteza sobre os próximos passos da política monetária.

Em decisão unânime, o colegiado reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, marcando o primeiro corte em quase dois anos. O movimento já era esperado pelo mercado, mas foi considerado tímido por aliados do governo.

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Entre as críticas, a ministra Gleisi Hoffmann classificou a decisão como “decepcionante”, destacando a ausência de sinalização sobre novos cortes. Na mesma linha, o deputado Lindbergh Farias afirmou que o resultado foi “frustrante”, enquanto o líder do governo na Câmara, José Guimarães, avaliou o movimento como insuficiente diante dos desafios econômicos.

Do lado técnico, o Banco Central justificou a postura conservadora com base no aumento das incertezas, especialmente no cenário internacional. O agravamento de tensões no Oriente Médio elevou a volatilidade dos mercados e pressionou preços de commodities, como o petróleo, o que intensifica os riscos para a inflação.

O próprio BC reconheceu que suas projeções indicam inflação acima do centro da meta no horizonte relevante, além de destacar preocupações com expectativas desancoradas e a resistência dos preços de serviços.

Apesar disso, o Copom avaliou que a política monetária restritiva já começa a surtir efeito, com sinais de desaceleração da atividade econômica, o que abriu espaço para o início do ciclo de cortes.

Sem sinalização clara

O principal ponto de atenção do comunicado foi a ausência de orientação sobre os próximos movimentos. O Copom evitou indicar um ritmo de cortes e reforçou que a condução da política monetária seguirá dependente de dados.

No texto, o comitê destacou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário global e de maior clareza sobre os impactos dos conflitos internacionais na inflação. Termos como “cautela” e “incerteza” foram reiterados, enquanto a estratégia foi descrita como um processo de “calibração”.

Na prática, a leitura predominante no mercado é que o BC iniciou o ciclo de flexibilização sem se comprometer com uma trajetória contínua ou mais intensa de queda dos juros.

Analistas avaliam que novos cortes podem ocorrer, mas tendem a ser graduais — possivelmente no mesmo ritmo de 0,25 ponto percentual —, a menos que haja melhora relevante no ambiente externo, como queda nos preços do petróleo.

Pressão política e cenário aberto

A decisão evidencia o descompasso entre a autoridade monetária e parte do governo, que defende uma redução mais rápida dos juros para estimular o crescimento, o crédito e os investimentos.

Leia mais: Super Quarta: Entenda por que a guerra no Oriente Médio travou a queda dos juros e afetou as decisões de Fed e Copom

Por outro lado, o Banco Central mantém o foco no controle da inflação e sinaliza que o cenário de incerteza global limita movimentos mais agressivos neste momento.

Com isso, a próxima reunião do Copom, prevista para o final de abril, ocorre em um ambiente de expectativas abertas, sem indicação clara sobre o ritmo ou a intensidade dos próximos cortes.

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