Brasil estuda criar cotas de exportação de carne bovina para a China após novas tarifas

Ministério da Agricultura planeja sistema para organizar setor exportador diante de sobretaxa de 55% imposta por Pequim a volumes que excedam limites

Por Redação TMC | Atualizado em
China criou sobretaxa de 55% contra carne excedente exportada pelo Brasil. (Foto: divulgação/Abiec)

O Ministério da Agricultura do Brasil (Mapa) estuda implementar um sistema de cotas individuais para empresas exportadoras de carne bovina para a China. A medida foi anunciada na última quarta-feira (11/02) por Luis Rua, secretário de Comércio da pasta, após Pequim impor tarifas adicionais sobre volumes que excedam limites estabelecidos para importação do produto.

A iniciativa brasileira busca “organizar o setor” exportador diante das novas regras chinesas, evitando competição desordenada entre empresas nacionais que poderia resultar em queda de preços no mercado chinês.

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O governo chinês estabeleceu uma sobretaxa de 55% para importações de carne bovina que ultrapassem as cotas definidas para fornecedores importantes, incluindo Brasil, Austrália e Estados Unidos. Estas “medidas de salvaguarda” entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e permanecerão por três anos.

Para 2026, a cota estabelecida para importações de carne bovina brasileira é de 1,106 milhão de toneladas. Nos anos seguintes, esse volume aumentará para 1,128 milhão de toneladas, em 2027, e 1,151 milhão de toneladas, em 2028.

O Brasil é um dos principais fornecedores de carne bovina para a China, maior parceiro comercial brasileiro em termos gerais. Em 2025, as exportações brasileiras do produto para o mercado chinês atingiram o recorde de 1,648 milhão de toneladas.

O volume total de importações chinesas de carne bovina para 2026, considerando todos os países afetados pelas novas medidas, está fixado em 2,7 milhões de toneladas métricas. Este número se aproxima do recorde de 2,87 milhões de toneladas importadas pela China em 2024.

Um ponto ainda indefinido é se os volumes de carne bovina brasileira que estavam em trânsito antes do anúncio das novas regras serão contabilizados na cota de 2026. A indústria estima que aproximadamente 250 mil toneladas do produto estavam nessa situação.

“É uma discussão em andamento”, afirmou Rua em entrevista à Reuters por telefone. “Estamos conversando com o setor privado para encontrar alternativas e evitar uma corrida descontrolada”, acrescentou, referindo-se à possibilidade de exportadores “se apressarem” em enviar carne bovina para a China.

A proposta de distribuição de cotas individuais entre as empresas exportadoras brasileiras poderá ser discutida na reunião da Câmara de Comércio Exterior do Brasil (CAMEX), marcada para esta quinta-feira (13/02).

Com informações da Reuters

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