CVM afasta superintendentes por falhas na fiscalização de fraudes do Banco Master

Alexandre Pinheiro dos Santos e Marco Velloso de Sousa deixam cargos após investigações revelarem demora de 473 dias para abrir inquérito sobre desvios

Por Redação TMC | Atualizado em
Logotipo do Banco Master é exibido em prédio da instituição em São Paulo
(Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exonerou dois superintendentes nesta segunda-feira (30/03). A decisão foi tomada pelo presidente interino da autarquia, João Carlos Accioly, após investigações sobre a atuação do órgão no caso Banco Master. Alexandre Pinheiro dos Santos deixou a Superintendência-Geral. Marco Antônio Velloso de Sousa foi afastado da Superintendência de Supervisão de Investidores Institucionais.

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As mudanças na estrutura executiva da CVM ocorrem após apurações revelarem possíveis falhas na supervisão do Banco Master. O banco utilizou fundos exclusivos para executar fraudes. Recursos de investidores foram desviados por meio de supervalorização de ativos e movimentações fictícias, conforme informações de Natália Portinari, no UOL. A autarquia identificou necessidade de reestruturar os procedimentos de fiscalização de fundos de investimento.

Velloso comandava a Superintendência de Supervisão de Investidores Institucionais durante o período de operação do Banco Master. Um grupo de trabalho da CVM concluiu em março que a área sob responsabilidade de Velloso emitiu 48 dos 65 ofícios de alerta contra o banco e entidades vinculadas.

Pinheiro estava à frente da Superintendência-Geral desde maio de 2012. Em novembro de 2022, ele recebeu parecer técnico interno recomendando abertura de inquérito administrativo sobre condutas relacionadas ao Master. O inquérito foi instaurado 473 dias depois, em março de 2024, após pressão da Polícia Federal.

O servidor Cláudio Gonçalves Maes assumirá a Superintendência de Supervisão de Investidores Institucionais. A Superintendência-Geral ainda não tem substituto definido. A CVM implementará reestruturação nos procedimentos de fiscalização de fundos de investimento.

Accioly prestou depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado em fevereiro. O presidente interino admitiu que alguns processos “poderiam ser mais rápidos”. Afirmou que a CVM trabalhava “além da capacidade máxima”.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) criticou a autarquia durante a audiência. “Estamos falando de milhares, eu diria, de milhões de brasileiros que estão sendo prejudicados porque o dinheiro do seu fundo de previdência evaporou-se de forma criminosa. E não dá para dizer que a CVM não foi omissa”, declarou.

Accioly rejeitou a acusação de omissão. O presidente interino afirmou que o caso Master apresenta uma “peculiaridade” caracterizada por um “alinhamento perverso” entre gestores e investidores. Segundo Accioly, o Banco Master atuou como “promotor ativo” das fraudes.

Não foram divulgados detalhes sobre quantos casos de suspeitas contra o Master permaneceram apenas como ofícios de alerta sem evoluir para acusações formais e sanções.

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