A Black Friday, um dos momentos preferidos de lojistas e consumidores, promete mais um ano de forte impacto no comércio brasileiro. Em 2024, o evento movimentou R$ 7,93 bilhões apenas no e-commerce nacional (24/11), segundo a Abiacom. A associação projeta um salto de 14,5% para 2025, o que colocaria o faturamento online na casa dos R$ 9,08 bilhões.
Da crise ao consumo frenético
O nome “Black Friday”, hoje sinônimo de carrinhos lotados e sites congestionados, nasceu bem longe dos descontos. Em 24 de setembro de 1969, dois especuladores detonaram um colapso no mercado do ouro em Nova York, episódio que ganhou o apelido de “Sexta-Feira Negra”. Décadas mais tarde, o termo seria reciclado pelo varejo americano.
Antes disso, porém, o começo da temporada de compras era sinalizado por desfiles de Papai Noel. A tradição começou no Canadá, em 1905, quando a Eaton’s colocou o bom velhinho nas ruas para avisar: “pode correr pro shopping”. Anos depois, a Macy’s importou a moda e eternizou o desfile nova-iorquino de 1924.
A data que mudou até um feriado
Nos anos 1930, a pressão dos lojistas foi tão forte que fez o presidente Franklin Roosevelt mexer na data do Dia de Ação de Graças. Em 1939, ele antecipou o feriado para esticar o período de compras, num movimento que rendeu até apelido: “Franksgiving”. A confusão durou até 1941, quando o Congresso definiu a quarta quinta-feira de novembro como data fixa.
Mesmo assim, a expressão “Black Friday” só pegou na década de 1950, e por um motivo inusitado: muitos trabalhadores faltavam no dia seguinte ao feriado. Já nos anos 1960, policiais da Filadélfia usaram o termo para reclamar do trânsito caótico provocado pelos consumidores.
De “Grande Sexta” ao lucro (supostamente) no azul
Sem gostar da conotação negativa, lojistas tentaram trocar o nome para “Big Friday”. Não funcionou. O termo original venceu e ganhou novo significado quando o varejo disse que era o dia em que as contas “voltavam ao azul”. A teoria nunca foi provada, mas o marketing agradeceu.
Nos EUA, a data só se tornou realmente nacional a partir dos anos 1990 e só virou o maior dia de compras em 2001, quando superou o tradicional “sábado da procrastinação”.
Um fenômeno global e, talvez, em mutação
A Black Friday conquistou o mundo. No México, virou “El Buen Fin”. No Brasil, entrou no calendário do varejo mesmo sem Ação de Graças. E o apetite só aumenta: em muitos lugares, promoções começam antes e terminam dias depois. Nos EUA, o Walmart rompeu a tradição em 2011, abrindo as portas na noite do feriado e puxando a criação de um novo apelido: “Quinta-feira Cinza”.
Com disputas cada vez mais acirradas e liquidações que duram semanas, especialistas já discutem se a Black Friday um dia deixará de existir como a conhecemos. Se depender do varejo brasileiro, não vai ser tão cedo.
