Dólar sobe, ultrapassa R$ 5,25 e Ibovespa cai mais de 2,6 mil pontos com IPCA-15 acima do esperado

Índice foi pressionado por inflação e incertezas geopolíticas, com a divulgação do IPCA-15 de março, que subiu novamente

Por Felipe Pjevac | Atualizado em
Dólar fechou em alta. (Foto: Unsplash)

O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (26/03) em queda de 1,45%, aos 182.732,67 pontos, devolvendo 2.691,61 pontos. O otimismo da véspera deu lugar a um tom defensivo, pressionado por uma combinação de inflação doméstica resiliente e a persistente incerteza geopolítica, que voltou a impulsionar o preço das commodities energéticas.

O principal gatilho para o recuo foi a divulgação do IPCA-15 de março, que registrou alta de 0,44%, vindo significativamente acima da estimativa de 0,29% do mercado. O índice foi impactado pela carestia no grupo de alimentação e bebidas e pelo salto nos preços das passagens aéreas.

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Somado a isso, o Banco Central divulgou o Relatório de Política Monetária (RPM), revisando as projeções de inflação para cima e indicando que o IPCA deve permanecer acima da meta de 3% pelos próximos dois anos, o que gerou uma abertura intensa na curva de DIs.

No cenário externo, o conflito no Oriente Médio completou um mês sem sinais de resolução. A contradição entre as falas de Donald Trump sobre um suposto interesse em acordo e as negativas de Teerã manteve o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril, elevando a percepção de risco global e sustentando os juros nos Estados Unidos em patamares elevados.

Cenário corporativo e balanços

O setor corporativo refletiu a digestão dos resultados do quarto trimestre de 2025. A Equatorial (EQTL3), apesar de apresentar um lucro líquido ajustado sólido de R$ 3,541 bilhões (alta de 10,5%), viu seus papéis caírem 3,01%, penalizados pela sensibilidade à curva de juros. A JBS (JBSS3) também operou no negativo, refletindo o aumento no custo do gado na América do Norte.

Na contramão do índice, a Americanas (AMER3) disparou 16,12% após reduzir seu prejuízo em 92,5%, sinalizando que sua reestruturação operacional e foco em lojas físicas começam a surtir efeito. Já a Vamos (VAMO3) apresentou um lucro líquido com queda de 52,6%, mas suas ações conseguiram sustentar uma leve alta de 0,54%, com o mercado focando no crescimento de 13,2% no Ebitda trimestral.

Dólar tem alta

O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,69%, cotado a R$ 5,256. A moeda norte-americana acompanhou o fortalecimento global do dólar em um ambiente de forte aversão ao risco, atingindo a máxima de R$ 5,263.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento reflete a busca por proteção. “A escalada das tensões no Oriente Médio sustentou os juros nos EUA e reforçou a busca por segurança. O ajuste no câmbio foi limitado pelo fluxo comercial associado ao petróleo e pelo diferencial de juros brasileiro, mas a curva de DIs abriu de forma mais intensa, refletindo a reprecificação inflacionária após os dados domésticos”, analisa Shahini.

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