A Esfera Brasil promoveu, em jantar realizado nesta segunda-feira (09/10), um debate estratégico sobre os rumos da geopolítica mundial e os impactos diretos na economia brasileira. O evento teve como convidado central Christopher Garman, diretor-executivo da consultoria de risco político Eurasia para as Américas, uma das vozes mais respeitadas do setor.
O encontro reuniu um grupo seleto de empresários de diversos segmentos da economia nacional. O objetivo foi oferecer uma análise detalhada sobre como as tensões internacionais e as mudanças de poder no cenário global podem influenciar o ambiente de negócios e os investimentos no Brasil.
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Segundo Garman, o mundo vive um momento de ruptura histórica. Ele aponta que 2022 marcou o “fim oficial” da ordem geopolítica estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. Entre os riscos imediatos, o especialista monitora de perto as tensões no Oriente Médio, especificamente o conflito envolvendo o Irã.
Embora a aposta da Eurasia seja de uma resolução nas próximas semanas, Garman alerta para o “risco de cauda” — eventos de baixa probabilidade, mas de altíssimo impacto — que podem desestabilizar a economia global e gerar estragos superiores ao previsto.
Brasil: uma potência em valorização
Apesar do cenário externo conturbado, a mensagem para os empresários brasileiros foi de confiança. Para o executivo, o Brasil detém “ativos que crescem em valor” em um mundo que prioriza segurança e sustentabilidade. O país foi classificado como uma potência em quatro frentes principais:
- Energética e mineral: essenciais para a transição tecnológica.
- Agroindustrial: pilar da segurança alimentar global.
- Climática/ambiental: ativo estratégico em um mercado cada vez mais verde.
“Vamos falar um pouco sobre para onde o mundo está indo e como fica o Brasil. E aqui, a mensagem é de otimismo. O Brasil tem ativos que vão crescer em valor nesse novo mundo. O Brasil é uma potência energética, uma potência mineral, uma potência agroindustrial, uma potência climática — ou, pelo menos, ambiental. E, nesse novo mundo, esses tipos de ativos crescem em valor”, disse Garman.
Eleições e o “nó” fiscal
No campo doméstico, Garman não fugiu do tema da polarização política, fenômeno que ele classifica como um “desencanto contra o sistema” visto em várias democracias. Projetando as próximas eleições, ele prevê uma disputa acirrada, possivelmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, com uma leve vantagem atual para o atual mandatário, embora o cenário permaneça aberto.
O ponto crítico da análise, entretanto, recai sobre a saúde das contas públicas. Para o diretor da Eurasia, independentemente de quem vença, o ajuste fiscal é inevitável. “Sem atacar o desequilíbrio fiscal, os juros reais vão continuar estrangulando a economia brasileira”, afirmou Garman.
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Apesar do alerta, ele encerrou com uma nota de realismo esperançoso, citando a tradição brasileira de “fazer a coisa certa quando todas as outras opções se esgotam”, projetando um possível ajuste econômico mais robusto para 2027.




