Os governos estaduais e do Distrito Federal decidem nesta sexta-feira (27/03) se atendem ao pedido do Ministério da Fazenda para reduzir o ICMS sobre o diesel, em meio à alta do combustível provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
A medida é vista pelo governo federal como essencial para conter o avanço dos preços e reduzir impactos na inflação e no transporte de cargas.
Na quinta-feira (26/03), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que há expectativa por uma resposta dos governadores, após a União já ter adotado medidas para aliviar os custos. “Estamos protegendo os caminhoneiros, as famílias e o consumidor brasileiro de uma guerra que não foi causada por nós”, disse o ministro durante visita à fábrica da Caoa, em Anápolis (GO).
Segundo ele, o governo federal já zerou impostos federais sobre o diesel e anunciou incentivos para importação, além de discutir medidas para garantir o abastecimento e a estabilidade de preços.
Durante o mesmo evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido, o que torna o país vulnerável às oscilações externas. “Nós não vamos deixar a irresponsabilidade da guerra chegar no preço do alface, da cebola e do feijão”, afirmou.
Lula também disse que o governo criou mecanismos para evitar que o aumento internacional seja repassado integralmente ao consumidor.
Boulos pressiona por redução do ICMS
Após reunião com caminhoneiros, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou governadores e atribuiu parte da alta dos preços a práticas de mercado.
Segundo ele, há aumentos “despropositados” e “artificiais” por parte de distribuidoras e postos, mesmo após a redução de tributos federais. “Os caminhoneiros não podem pagar o preço da irresponsabilidade e da ganância dessas distribuidoras”, afirmou.
Boulos também defendeu medidas como zerar o ICMS sobre o diesel importado, como forma de reduzir custos na cadeia de abastecimento.
Fiscalização e pressão sobre preços
O governo federal anunciou que vai intensificar a atuação de órgãos como a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Polícia Federal e os Procons para monitorar preços e combater práticas abusivas.
A estratégia inclui operações em todo o país para garantir que a redução de custos seja repassada ao consumidor final.
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Após a adoção de medidas como a desoneração federal e a criação de regras para o piso mínimo do frete, os caminhoneiros descartaram, por ora, a possibilidade de uma paralisação nacional.
Ainda assim, a categoria segue pressionando por soluções estruturais para o custo do combustível, considerado um dos principais fatores de perda de renda no setor.




