O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais. A medida foi formalizada nesta terça-feira (10/03) pelo presidente da companhia, Alexandre Santoro.
O fato relevante divulgado pela empresa esclarece que o plano abrange obrigações financeiras “sem garantia” que não constituem compromissos correntes ou operacionais da companhia. O conselho de administração aprovou a decisão por unanimidade. Acionistas que representam aproximadamente 70% das ações da empresa participaram da votação.
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“Essa medida é o início de um processo de reestruturação das nossas dívidas não operacionais. Ela não envolve pagamento a fornecedor, aluguel de loja ou salário de colaborador. A operação segue funcionando normalmente”, afirmou Santoro, que está há apenas dois meses no cargo.
O CEO acrescentou: “Apesar do curto tempo que estou na companhia, essa agenda está alinhada à minha experiência e ao mandato de ajudar os acionistas a resolver alguns problemas estruturais“.
Vencimentos concentrados em maio e julho
Cerca de R$ 500 milhões das dívidas vencem em maio deste ano. Entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão têm vencimento previsto para julho do mesmo ano. A concentração de pagamentos de curto prazo pressiona a estrutura financeira do grupo.
O protocolo do pedido suspende as obrigações com os credores afetados por 90 dias. Durante esse período, a empresa avançará nas negociações. Pedro Albuquerque, diretor financeiro que assumiu o cargo na semana passada, explicou: “Temos esse prazo para concluir a negociação e chegar às condições definitivas da reestruturação”.
A homologação do acordo exige apoio de 50% mais um dos credores. O GPA já possui adesão de 46% ao plano apresentado.
Dívida líquida cresceu R$ 729 milhões em 2025
O último balanço divulgado pela companhia mostra que a dívida líquida, incluindo recebíveis de cartão de crédito não antecipados, totalizou R$ 2 bilhões ao final de 2025. O valor representa aumento de R$ 729 milhões em relação ao registrado no fim de 2024.
Albuquerque esclareceu que o processo não inclui passivos trabalhistas ou tributários. Essas obrigações seguem sendo tratadas separadamente pela companhia. O executivo também afirmou que a medida não tem relação com discussões antigas envolvendo a operação do Assaí.
A reestruturação visa reorganizar o perfil de endividamento sem comprometer as atividades operacionais. As lojas do grupo continuam funcionando normalmente. Fornecedores, aluguéis e salários de colaboradores não são afetados pela recuperação extrajudicial.




