O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (02/03) que o governo brasileiro acompanha com cautela o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e está preparado para agir caso haja piora no cenário econômico internacional. A declaração foi dada antes de uma aula magna na FEA-USP, ligada à Universidade de São Paulo.
Segundo o ministro, ainda é cedo para medir impactos concretos sobre variáveis como inflação, câmbio e crescimento, mas a equipe econômica monitora o desenrolar da crise.
“Vamos aguardar e eventualmente estar preparados para uma piora no ambiente econômico”, afirmou. Haddad ponderou que os efeitos sobre o Brasil tendem a ser limitados no curto prazo, sobretudo porque a economia brasileira vive, segundo ele, um momento favorável de atração de investimentos. Ressaltou, porém, que uma escalada do conflito pode alterar esse quadro.
Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo
O ministro destacou que o Irã fechou o Estreito de Ormuz após os bombardeios, rota estratégica por onde passa entre 20% e 30% do petróleo comercializado no mundo. O movimento elevou as preocupações com a oferta global de energia e com possíveis pressões sobre os preços do petróleo e do gás.
Ao analisar o cenário geopolítico, Haddad afirmou que os conflitos atuais estão ligados ao protagonismo econômico da China. Ele lembrou que o país asiático é o maior importador de petróleo iraniano e depende fortemente da compra externa de barris para sustentar seu crescimento. Para o ministro, a ascensão chinesa reorganizou o equilíbrio global e influencia as tensões no Oriente Médio.
Haddad também ressaltou que o Brasil mantém superávit na balança comercial de petróleo, mas negou qualquer intenção de obter vantagem econômica com a crise. Segundo ele, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a resolução diplomática do conflito e o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU).
No campo político, o ministro confirmou que avalia a possibilidade de disputar o governo de São Paulo, após pedido de Lula. Uma reunião com o presidente e o vice-presidente Geraldo Alckmin deve definir seu futuro eleitoral. Haddad afirmou ainda acreditar na reeleição de Lula em eventual disputa presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro, apesar das oscilações nas pesquisas.
Leia mais: Haddad analisa pedido de Lula para disputar governo de SP em 2026 contra Tarcísio
