O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (20/03) em forte queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos, registrando um recuo expressivo de 4.051,22 pontos. O pregão foi marcado por um movimento de aversão ao risco generalizado, que apagou o otimismo recente com o início do ciclo de cortes da Selic e empurrou o índice para seu menor patamar em semanas.
O principal vetor da queda foi a notícia de uma possível incursão terrestre dos Estados Unidos no Irã, o que elevou drasticamente o prêmio de risco global. Esse movimento interrompeu a breve expectativa de desescalada e trouxe de volta o temor de um conflito prolongado, levando o VIX — conhecido como o “índice do medo” — a saltar quase 10%.
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Com a incerteza pairando sobre o Golfo, o petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 110, alimentando projeções de um choque inflacionário mais severo.
Segundo Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, a queda acentuada não possui um gatilho isolado no Brasil, mas reflete a volatilidade externa. “Não tem uma razão específica para a Bolsa ter caído tanto hoje. O cenário interno não tem novidade e o corte de juros já estava precificado. A verdade é que várias bolsas operaram mal e a incerteza aumentou. É uma busca por liquidez e segurança num cenário que parece estar longe de acabar”, analisa Sartori.
Ele destaca que, quanto mais o conflito demorar, pior será o impacto no abastecimento de energia.
O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, corrobora a visão de um mercado em modo defensivo. “O dólar superou o nível de R$ 5,30 em meio a uma deterioração clara do ambiente de risco. O estresse se refletiu de forma ampla, com forte queda das bolsas em Nova York, indicando um movimento de risk off generalizado. O mercado foca nas incertezas em torno de um conflito de maior duração”, afirma Shahini.
Esse ambiente penalizou até mesmo gigantes como a Petrobras e a Vale, que recuaram apesar da alta em suas respectivas commodities.
No plano doméstico, o analista Fernando Bresciani, do Andbank, aponta que o DI em alta e o dólar subindo acompanham o movimento global, mas já começam a gerar preocupações com as próximas projeções do Boletim Focus.
A expectativa de deterioração nos dados de inflação reforça a cautela dos investidores, que preferem migrar para ativos de proteção, como o ouro e títulos públicos, retirando capital de mercados emergentes.
Destaques corporativos
A queda de hoje foi sistêmica, atingindo as grandes empresas da Bolsa de forma abrangente. A Petrobras recuou mesmo com o petróleo em alta, sugerindo que o risco institucional e geopolítico superou o benefício do preço do barril no curto prazo. A Vale seguiu trajetória semelhante, pressionada pelo mau humor macroeconômico global que ofuscou a valorização do minério de ferro.
Entre os poucos destaques positivos, a PetroRio (PRIO3) conseguiu subir, impulsionada por notícias internas de novos campos entrando em operação. Na outra ponta, a Braskem figurou entre as maiores baixas, ainda castigada pelo seu nível de endividamento elevado em um cenário de juros globais que prometem ficar altos por mais tempo.
Dólar
O dólar comercial encerrou o dia em alta de 1,79%, cotado a R$ 5,309. A moeda norte-americana apresentou forte volatilidade, atingindo a máxima de R$ 5,325, refletindo a corrida global por proteção. O fortalecimento do dólar foi sentido de forma ampla frente a outras moedas emergentes, à medida que os investidores abandonam ativos de maior risco.
O avanço da divisa acima dos R$ 5,30 consolida a percepção de que o câmbio continuará pressionado enquanto não houver clareza sobre o desfecho militar no Oriente Médio. O Brasil, embora beneficie-se do diferencial de juros, não ficou imune ao fortalecimento global do dólar, evidenciando que o papel da moeda como reserva de valor prevalece em momentos de estresse agudo.
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