O Ibovespa engatou a segunda queda consecutiva ao recuar 1,52% nesta sexta-feira (24/07), encerrando aos 174.041,95 pontos. O principal índice da B3 perdeu 2.681,67 pontos em uma sessão marcada pela forte pressão vendedora nos papéis de maior peso na carteira teórica, como os grandes bancos e as petroleiras.
A fraqueza das ações do setor financeiro, refletida no tombo de 1,61% do Índice Financeiro (IFNC), aliou-se ao desmonte de posições em commodities energéticas globalmente, ampliando a retração do pregão. Apesar do forte recuo no encerramento da semana, o índice acionário ainda acumulou um saldo positivo discreto de 0,19% nos últimos cinco dias. O índice de volatilidade (VIX) registrou leve variação de -0,3%, aos 20,05 pontos.
O grande vetor de pressão veio do mercado internacional de energia. Os contratos do petróleo Brent desabaram 3,88%, cotados a US$ 96,78 o barril na ICE em Londres, o que atingiu em cheio as ações da Petrobras. Os papéis ordinários da estatal (PETR3) recuaram 2,36%, cotados a R$ 47,55, enquanto os preferenciais (PETR4) cederam 1,72%, a R$ 42,21. A Vale (VALE3) também realizou lucros recentes e caiu 0,58% (R$ 75,24), acompanhando o recuo discreto do minério de ferro em Dalian.
A maior baixa do dia, contudo, foi liderada pela ISA Energia (ISAE4), que despencou 7,16% (R$ 26,46) após a precificação de sua oferta pública primária de ações (follow-on). A companhia captou R$ 1,2 bilhão a R$ 27,00 por papel, estabelecendo um desconto de 5,26% sobre o fechamento anterior. Na ponta oposta, a Yduqs (YDUQ3) encabeçou as escassas altas do dia, em uma sessão na qual apenas 12 ativos do Ibovespa conseguiram fechar no campo positivo.
No radar geopolítico e comercial, os investidores reagiram à aplicação de uma nova taxa de 12,5% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, que somou-se à sobretaxa de 25% em vigor desde a última quarta-feira (22/07).
O impacto prático dessa dupla tarifação na bolsa doméstica permaneceu limitado, uma vez que a política protecionista do governo americano e as incertezas externas já vinham sendo amplamente precificadas ao longo das últimas semanas.
Dólar opera de lado e fecha com leve baixa na semana
O dólar comercial encerrou o dia em estabilidade quase absoluta, com leve variação negativa de 0,06%, negociado a R$ 5,080 na venda. A moeda norte-americana apresentou oscilação ao longo da sessão, registrando a cotação mínima de R$ 5,050 e tocando a máxima diária de R$ 5,090. Com o resultado, a divisa acumulou uma queda de 0,59% na semana ante o real.
O comportamento do câmbio refletiu a leitura do mercado de que o “tarifaço” imposto por Washington já teve seus efeitos absorvidos nos preços dos ativos, com a volatilidade semanal da moeda arrefecendo.
Além disso, as declarações recentes do diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçando a necessidade de manter uma política monetária restritiva diante das expectativas de inflação desancoradas, ajudaram a sustentar o atrativo dos juros locais e a travar avanços mais expressivos do dólar.
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