Ibovespa dispara quase 6 mil pontos com trégua na guerra e alívio no petróleo

Índice voltou aos 180 mil pontos após sinais de Trump de que os EUA estão conversando com o governo do Irã

Por Felipe Pjevac | Atualizado em
Foto de parte de um painel da Bolsa de Valores de SP
Ibovespa abriu a semana com forte alta. (Foto: Germano Lüders/InfoMoney)

O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira (23/03) em forte alta de 3,24%, aos 181.931,93 pontos, com uma valorização expressiva de 5.712,53 pontos no dia. O resultado marcou uma abertura de semana triunfal para o mercado brasileiro que, após acumular duras perdas nos últimos pregões, engatou uma recuperação robusta.

O principal índice da B3 conseguiu reconquistar o suporte psicológico dos 180 mil pontos, embalado por sinais de descompressão geopolítica no exterior.

De acordo com levantamento da Elos Ayta Consultoria, a alta é a quinta maior em um dia desde janeiro de 2021.

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A melhora do humor global decorre de sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo avanços diplomáticos e conversas com o governo do Irã. A pausa temporária nas hostilidades reduziu drasticamente o prêmio de risco, fazendo com que o petróleo Brent passasse por uma forte correção técnica e voltasse a operar abaixo da casa dos US$ 100 por barril.

O arrefecimento da commodity aliviou os temores de uma espiral inflacionária global que vinha sufocando as teses de crescimento e os ativos de renda variável.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento de hoje reflete esse realinhamento de expectativas. “A possibilidade de um acordo e a reabertura do Estreito de Ormuz reduziu significativamente o prêmio de risco embutido na commodity. O mercado passou a incorporar um cenário de descompressão geopolítica, o que desencadeou um movimento mais amplo de enfraquecimento da moeda americana e alívio nos temores inflacionários, favorecendo diretamente os ativos de risco“, explica o especialista.

No ambiente doméstico, a perspectiva de um fim antecipado para o conflito injetou ânimo nos setores de consumo e saúde, que vinham sendo castigados pelas projeções de custos elevados de frete e energia.

Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos pela B7 Business School, aponta que o fluxo estrangeiro encontrou espaço para retornar aos mercados emergentes. “O mercado está um pouco mais animado, tomando um pouco mais de risco. O arrefecimento da guerra traz fôlego para os investidores diversificarem em renda variável e beneficia empresas brasileiras que teriam dor de cabeça com os custos do petróleo”, avalia Coelho.

A Petrobras também figurou entre os grandes destaques positivos do dia, sustentando o índice. O recuo nos preços internacionais tira a pressão política e financeira sobre a estatal, que corria o risco de ter de absorver prejuízos nas refinarias para não repassar a escalada do diesel diretamente na bomba em um período sensível.

Esse alívio operacional no balanço da petroleira trouxe grande tranquilidade aos investidores institucionais, que voltaram a alocar capital na companhia com mais segurança.

Dólar tem queda com correção global

O dólar comercial encerrou a sessão desta segunda-feira em queda de 1,29%, cotado a R$ 5,240. A moeda americana apresentou um comportamento de correção global, recuando do patamar máximo intradiário de R$ 5,314 à medida que a demanda por proteção defensiva esfriou nos mercados internacionais.

Conforme analisa Shahini, a queda da divisa reflete diretamente a redução das incertezas navais no Oriente Médio. “O dólar operou em queda refletindo principalmente a redução do prêmio de risco geopolítico no exterior. O câmbio devolveu parte da alta recente, em um movimento alinhado ao comportamento global da divisa americana e sustentado pela menor busca por proteção”, conclui.

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