O Ibovespa iniciou a semana em terreno negativo, registrando uma queda de 0,21%, aos 168.668,72 pontos, com uma perda de 350,40 pontos.
O mercado brasileiro operou em tom defensivo nesta segunda-feira (08/06), pressionado pelo recrudescimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio durante o fim de semana e por uma nova deterioração nas expectativas macroeconômicas domésticas, que empurraram o principal índice da B3 para baixo e elevaram o “índice do medo” (VIX) em 2,05%.
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O ambiente global voltou a azedar após Israel e Irã trocarem novos ataques. O petróleo Brent chegou a superar os US$ 98 por barril nas primeiras horas do dia, antes de acomodar-se na casa dos US$ 94, refletindo o anúncio do Irã de que encerrou suas operações militares e o recuo temporário de Israel a pedido dos EUA.
Embora Donald Trump tenha afirmado que negociações finais de paz estão em andamento, o ceticismo prevaleceu. Para piorar o cenário local, o Boletim Focus trouxe nova elevação nas projeções de inflação para 2026 e subiu a estimativa da Selic para 13,50% ao ano.
De acordo com Fabio Louzada, economista e fundador da B7 Business School, o investidor segue sem apetite ao risco devido às frentes de incerteza internacional.
“O mercado continua sem convicção para montar posições mais agressivas em ativos brasileiros. Mesmo quando surgem momentos de recuperação ao longo do dia, o fluxo comprador ainda é insuficiente para sustentar uma retomada consistente da Bolsa”, analisa Louzada.
O economista ressalta que a manutenção das tensões envolvendo as tarifas comerciais de Trump e a sinalização de juros americanos elevados por mais tempo continuam alimentando preocupações sobre o crescimento mundial, tirando a atratividade dos mercados emergentes. “Fica claro que o mercado continua operando muito mais pela aversão ao risco do que por uma deterioração concreta dos fundamentos econômicos“, pontua o fundador da B7 Business School.
Dinâmica de Setores: Recompra alivia Cyrela; Commodities pesam
Na divisão setorial da B3, as mineradoras e siderúrgicas figuraram entre os principais pesos negativos do índice. Papéis como VALE3, USIM5 e CSNA3 sofreram com a piora do sentimento em relação à demanda chinesa e ao crescimento global.
O setor de consumo doméstico também foi severamente castigado pela abertura da curva de juros futuros e o Focus mais rígido, penalizando ações como MGLU3, RENT3 e YDUQ3. Na ponta das maiores baixas fora do índice principal, a Hidrovias do Brasil (HBSA3) desabou 14,41% e a Azul (AZUL99) recuou 12,23%.
Por outro lado, o anúncio corporativo de um novo programa de recompra de ações blindou a Cyrela (CYRE3), colocando-a entre os destaques positivos. Segundo Louzada, “a medida foi interpretada pelo mercado como um sinal de confiança da administração na geração de valor da companhia e na atratividade dos papéis nos níveis atuais”.
No setor de energia, as units da Ampla Energia (CBEE3) dispararam mais de 43%, enquanto a Petrobras (PETR4) subiu 0,64%, beneficiada pelo fluxo dolarizado e pelo patamar ainda alto do petróleo. “As petrolíferas e exportadoras acabam sendo o primeiro porto seguro buscado pelo investidor por terem receita em moeda forte”, conclui Louzada.
Dólar
O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,45%, cotado a R$ 5,180 na venda. A moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,133 e atingiu a máxima de R$ 5,195, flertando perigosamente com o teto psicológico de R$ 5,20.
A valorização da divisa reflete o movimento clássico de fuga para a segurança global. Conforme avalia Fabio Louzada, o comportamento do câmbio foi puramente defensivo. “A moeda americana voltou a atrair fluxo de proteção diante do aumento das incertezas globais. Quando o investidor reduz exposição a ativos de risco, uma das primeiras consequências costuma ser justamente a valorização do dólar frente às moedas emergentes”, explica o economista.
O Ibovespa se firmou em uma clara tendência de baixa no curto prazo, e analistas gráficos já apontam que o índice precisará reconquistar os 179.500 pontos para respirar aliviado.
A deterioração das medianas do Boletim Focus joga um balde de água fria nos setores de varejo e construção, que passam a precificar um custo de capital ainda mais proibitivo no Brasil.
O fechamento do mercado deixa o radar totalmente dependente do cumprimento das tréguas prometidas no Golfo Pérsico durante a madrugada.
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