O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (27) em queda de 0,64%, aos 181.556,76 pontos, registrando um recuo de 1.175,91 pontos.
O índice segue o mês de março com uma desvalorização acumulada próxima de 4%, reflexo direto da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que tem provocado uma fuga de capital para ativos de segurança e mantido as expectativas de juros elevados por um período mais prolongado.
Acesse o canal da TMC no WhatsApp para ficar sempre informado das últimas notícias
O sentimento de cautela foi alimentado pela proximidade do final de semana, período em que o mercado teme novas movimentações militares por parte de Donald Trump. Embora o presidente americano tenha sinalizado a busca por um cessar-fogo, o bloqueio persistente do Estreito de Ormuz pelas forças iranianas mantém o petróleo Brent acima de US$ 100, alimentando o ceticismo dos investidores quanto a uma solução rápida.
De acordo com o economista Danilo Coelho, da B7 Business School, o cenário de incerteza penalizou severamente os setores sensíveis ao crédito doméstico. “A bolsa cai em mais um dia de expectativa de juros maiores por mais tempo, o que superou a alta das commodities. O mercado esperava um corte de 0,50 ponto na última reunião, mas veio apenas 0,25 ponto e agora a curva de juros está esticando. Há o temor de que o ciclo de cortes seja pausado ou até revertido se a inflação piorar”, explica Coelho.
Como reflexo, varejistas e construtoras como Magazine Luiza, Cyrela e MRV figuraram entre as maiores baixas.
Cenário interno e balanços
No plano doméstico, os dados da Pnad Contínua mostraram que a taxa de desemprego subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, pressionada por demissões nos setores de construção civil e saúde.
No front corporativo, a temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 trouxe números pesados: a Braskem (BRKM5) desabou 8,28% após reportar um prejuízo de R$ 10,2 bilhões, enquanto a Azul (AZUL3) recuou 3,36% com uma perda ajustada de R$ 425,5 milhões.
Na contramão do índice, as exportadoras de moeda forte serviram como um colchão de segurança. A Petrobras (PETR4) subiu 0,98%, impulsionada não apenas pelo óleo alto, mas pelo anúncio de uma nova descoberta no pré-sal da Bacia de Campos.
“O gringo olha primeiro para empresas dolarizadas por serem mais seguras em momentos de estresse. Petrolíferas, mineradoras (como a Vale) e empresas de proteína são o porto seguro por terem fluxo em moeda forte”, destaca Danilo Coelho.
Dólar tem leve queda
O dólar comercial encerrou o dia com uma leve queda de 0,33%, cotado a R$ 5,240. A moeda chegou a tocar a máxima de R$ 5,279 pela manhã, mas perdeu fôlego ao longo da tarde, convergindo para a estabilidade.
O especialista da Nomad, Bruno Shahini, observa que o fluxo foi ficando mais equilibrado com a proximidade do fechamento. “A combinação de petróleo elevado e incerteza sustentou a demanda por proteção na manhã, mas o movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior. O câmbio passou a oscilar em faixa estreita, refletindo um equilíbrio técnico sem piora adicional no cenário”, analisa Shahini. Coelho acrescenta que a atuação do Banco Central através de leilões tem sido fundamental para segurar a volatilidade e evitar impactos maiores na inflação.
Leia mais: Mercosul e Canadá se aproximam de acordo de livre comércio com negociações em abril




