Ibovespa tem queda após Fed; dólar fecha em alta

A Bolsa brasileira fechou poucas horas após a decisão do Federal Reserve nos EUA, e aguardando a decisão do Copom em relação à taxa Selic

Por Felipe Pjevac | Atualizado em
Ibovespa tem leve queda (Foto: B3/Divulgação)

O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (18) em queda de 0,43%, aos 179.639,91 pontos, registrando um recuo de 505,46 pontos.

O mercado brasileiro operou em compasso de espera durante a maior parte do dia, refletindo a decisão do Federal Reserve (o banco central dos EUA) e a ansiedade doméstica pela reunião do Copom, que anunciou a nova taxa Selic após o fechamento dos mercados.

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Como esperado pelos mercados, o Fed manteve os juros estáveis no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano. No entanto, o comunicado e as novas projeções econômicas trouxeram um tom mais rígido. A autoridade monetária elevou a estimativa de inflação para o final do ano de 2,4% para 2,7%, citando as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio e o salto do petróleo para a casa dos US$ 108.

Além disso, o gráfico de pontos indicou apenas um único corte de juros para todo o ano de 2026.

O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, destaca que o movimento ganhou força após a decisão e, principalmente, após as declarações de Jerome Powell, presidente do Fed. “O tom foi mais duro ao reforçar que, se não houver progresso na inflação, não haverá corte de juros. Embora tenha havido avanço no processo desinflacionário, ele não se encontra no ritmo desejado“, analisa Shahini.

Segundo ele, a comunicação foi interpretada como mais branda, levando a uma reprecificação das expectativas de política monetária.

Alison Correia, analista da Dom Investimentos, observa que a decisão não foi unânime, revelando divergências internas relevantes. “Stephen Miran, indicado por Trump, votou por um corte imediato, o que mostra a pressão existente. O cenário é preocupante porque o mercado de trabalho está fraco, mas a inflação não alivia devido ao choque do petróleo. Há um claro descompasso entre atividade e inflação, o que complica a condução da política monetária”, pontua Correia.

Para Shahini, a mudança na comunicação do Federal Reserve ao longo das últimas reuniões é um ponto crucial para os investidores. “O discurso recente passa a colocar a dinâmica da inflação novamente no centro da função de reação do Fed. A mensagem de Powell reforça que o processo desinflacionário ainda é insuficiente, o que indica um Fed menos disposto a antecipar cortes e mais dependente de evidências de desaceleração dos preços”, explica o especialista.

No Brasil, o cenário reflete essa estabilidade de espera, com o mercado monitorando o impacto do PPI americano acima do esperado, que já vinha pressionando as bolsas desde cedo. Com o Fed sinalizando juros altos por mais tempo, o Copom enfrenta um desafio adicional para equilibrar o suporte à economia local com a necessidade de conter a contaminação dos preços globais e a valorização do dólar frente ao real.

Dólar

O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,90%, cotado a R$ 5,246 para venda. A moeda norte-americana operou sem direção definida durante a manhã, mas ganhou força após as falas de Jerome Powell.

A valorização da divisa reflete a visão do mercado de que dezembro é agora o momento mais provável para o início do ciclo de flexibilização monetária nos EUA. Segundo Bruno Shahini, essa cautela sustenta o fortalecimento da moeda: “A comunicação do Fed levou a uma abertura da curva de juros nos Estados Unidos. Como resultado, o dólar acelerou o movimento de alta no exterior, com o real acompanhando o movimento de busca por proteção em um ambiente de baixa convicção”.

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