O mercado financeiro reagiu com desconfiança à possibilidade de indicação do economista Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para uma vaga na diretoria do Banco Central. A especulação dominou as discussões nas instituições financeiras nesta segunda-feira (02/02), em meio à crise do banco Master e às expectativas de redução da taxa Selic a partir de março.
O nome de Mello tornou-se o principal tema nas reuniões matinais conhecidas como “morning calls” realizadas pelas principais instituições da Faria Lima. Analistas interpretam que uma eventual indicação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia representar maior influência do PT na autoridade monetária.
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A reação do mercado está relacionada à trajetória de Mello junto ao Partido dos Trabalhadores. Além de ocupar cargo no Ministério da Fazenda, ele atuou como assessor econômico na campanha presidencial de Fernando Haddad em 2018 e coordenou o grupo de economistas do PT durante a campanha vitoriosa de Lula em 2022.
O economista também se manifestou criticamente sobre a elevação dos juros para o patamar atual de 15% ao ano e questionou a demora do Banco Central para iniciar o ciclo de cortes em 2025.
Uma das posições em aberto no colegiado do Banco Central é na diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, anteriormente ocupada por Renato Gomes até 31 de dezembro, quando seu mandato expirou. Esta diretoria analisou e recomendou a rejeição da compra do banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), decisão posteriormente aprovada por unanimidade pelos diretores da autarquia.
A outra vaga disponível é a diretoria de Política Econômica, antes comandada pelo economista Diogo Guillen.
Caso Mello seja confirmado, o mercado especula que poderia ocorrer uma reorganização na estrutura do BC, com a transferência do atual diretor Paulo Picchetti para a diretoria de Política Econômica. Esta área é considerada estratégica por ser responsável pela definição dos juros e pela comunicação com o mercado através das atas do Copom e dos Relatórios de Política Monetária trimestrais.
As reações já começam a aparecer, com aumento nas taxas de juros futuros ao longo da manhã de segunda-feira. O ministro Fernando Haddad apoia a indicação de Mello e deseja que o presidente encaminhe os nomes para as duas vagas abertas ao Senado Federal.
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