Canadá e Mercosul estão avançando em direção a um acordo de livre comércio que poderá ser assinado até o final do ano, com outra rodada de negociações agendada para o próximo mês em Brasília, de acordo com três fontes familiarizadas com as negociações.
Autoridades governamentais de Canadá, Argentina e Brasil disseram à agência Reuters que esperam que o acordo seja concluído em 2026, com uma delas observando que as negociações estavam progredindo bem e poderiam ser concluídas antes de setembro.
A fonte do governo argentino afirmou que o acordo deve ser assinado em setembro ou outubro, marcando cerca de um ano desde que as negociações foram formalmente reiniciadas.
Outro diplomata, baseado no Brasil, também disse à Reuters que as negociações estão acontecendo em uma velocidade recorde e extremamente bem, confirmando que os países provavelmente chegarão a um acordo este ano.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, deve visitar o Brasil no próximo trimestre, segundo essa fonte. Embora nenhum dos governos planeje anunciar um acordo durante a visita, ela pode servir como um impulso para finalizá-lo o mais rápido possível, disse a fonte.
O escritório do Mercosul em Montevidéu e o Ministério do Comércio canadense não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
Um funcionário do governo do Canadá diretamente envolvido nas negociações disse à Reuters nesta sexta-feira que o ministro do Comércio do país, Maninder Sidhu, está “muito interessado” em finalizar o acordo ainda este ano e que se reunirá com seu homólogo brasileiro à margem das reuniões da Organização Mundial do Comércio em Camarões, no dia 28 de março.
O impulso renovado segue meses de trocas técnicas depois que o Canadá e o Mercosul concordaram no ano passado em retomar as negociações que estavam paralisadas desde 2021. O Mercosul é composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com a expectativa de que a Bolívia se torne membro pleno em 2028.
O Canadá intensificou os esforços para diversificar o comércio em meio à incerteza ligada às tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A América do Sul, especialmente o Brasil, disse essa fonte, é um parceiro comercial do qual o Canadá não pode prescindir. Para o Mercosul, um grande exportador de carne bovina, soja e minerais, um acordo com o Canadá expandiria o acesso a mercados desenvolvidos e ajudaria a atrair investimentos em setores-chave como a mineração.
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No início de março, autoridades comerciais de Ontário, uma província central para a economia canadense, visitaram a Argentina e o Uruguai como parte dos esforços para estabelecer as bases para um futuro acordo e demonstrar apoio ao aumento do comércio bilateral. O ministro do Desenvolvimento Econômico, Criação de Empregos e Comércio de Ontário, Victor Fedeli, reuniu-se com representantes do setor de tecnologia e mineração como parte da viagem, dando continuidade à visita realizada ao Brasil no final do ano anterior.
Fedeli disse que Ontário estava intensificando o contato com a América do Sul, em parte devido ao que ele chamou de efeito de “aceleração de Trump”, observando que cerca de 80% do comércio da província é com os Estados Unidos.
“Estamos aproveitando esse impulso”, declarou Fedeli em uma entrevista à Reuters em Montevidéu. “O governo canadense leva a sério a diversificação em relação aos EUA, trabalhando para abrir novas oportunidades de comércio, parceria e investimento”, acrescentou.
As negociações com o Canadá ocorrem depois que o Mercosul assinou um acordo comercial com a União Europeia em janeiro, após 25 anos de negociações. Neste mês, a Comissão Europeia disse que os principais elementos comerciais do acordo, que se mostrou controverso na Europa, serão aplicados em caráter provisório a partir de 1º de maio.
Por Reuters




