A Argentina registrou crescimento de 4,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025, superando a expansão de 2,3% da economia brasileira no mesmo período. O Brasil mantém trajetória de crescimento pelo quinto ano consecutivo, porém em ritmo mais moderado. Os dados argentinos foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) nesta sexta-feira (20).
O resultado do governo Javier Milei representa uma recuperação em relação a 2024, quando a economia retraiu 1,7%. Esse foi o primeiro avanço do PIB sob a gestão do presidente ultraliberal Javier Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023.
Primeira alta desde 2022
É também a primeira alta desde 2022, ano em que o país cresceu 5,2%, durante o governo de Alberto Fernández. O PIB é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em um país em determinado período.
Segundo especialistas, embora o resultado do PIB seja positivo, ele apresenta desafios estruturais. O crescimento está concentrado em poucos setores e o consumo interno ainda é fraco. Na prática, isso significa que os argentinos seguem consumindo pouco.
Brasil mantém trajetória de crescimento
A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, conforme dados do IBGE. O resultado representa o quinto ano seguido de crescimento para o país.
No quarto trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 0,1% na comparação com o terceiro trimestre. O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.
Modelos econômicos opostos
As diferenças entre os governos de Milei e Lula na economia expõem um profundo contraste ideológico. As recentes reformas estruturais na Argentina, focadas em flexibilização trabalhista e segurança pública, marcam caminhos opostos para as maiores economias da América Latina.
O presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025. O evento reuniu líderes mundiais para discutir perspectivas econômicas globais.
Desafios fiscais no Brasil
Enquanto a Argentina busca recuperação, o Brasil enfrenta desafios fiscais. A dívida pública do país cresceu de 71,4% do PIB em janeiro de 2023 para 78,7% em janeiro deste ano, segundo dados do Tesouro Nacional.
Em valor bruto, a dívida pública federal encerrou 2025 em R$ 8,6 trilhões e avançou a R$ 8,641 trilhões em janeiro. Segundo projeções do Tesouro Nacional, o rombo deve seguir em trajetória de alta nos próximos anos.
O novo arcabouço fiscal (conjunto de regras para controlar gastos públicos) desenhado pelo governo para conter a alta dos gastos públicos falhou na opinião de economistas e do mercado. Em setembro, o próprio ministro afirmou que as regras precisam de ajustes.
Projeções para 2026
O Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção da inflação de 2026 por causa da volatilidade dos preços do petróleo. Dados compilados pela Secretaria de Política Econômica divulgados nesta sexta-feira (13) estimam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial) deve terminar o ano em 3,7%, dentro da meta. Em fevereiro, a projeção era de 3,6%.
De acordo com a pasta econômica, a revisão considerou um repasse de cerca de 20% a 30% dos preços das distribuidoras de combustíveis para os preços de comercialização final. Isso foi parcialmente compensado com uma redução de 0,06 ponto percentual para cada 1% de apreciação do real frente ao dólar.
Já em relação à projeção do PIB, o Ministério da Fazenda manteve suas estimativas em 2,3%, mesmo patamar do resultado de 2025.




