A indústria do Brasil registrou piora nas condições de operação no início de 2026, com queda nas encomendas e na produção devido ao enfraquecimento da demanda. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) caiu para 47,0 em janeiro, ante 47,6 em dezembro, conforme divulgado nesta segunda-feira (2/02) pela S&P Global. O resultado representa a deterioração mais acentuada em quatro meses, ficando abaixo da marca de 50 pontos que separa crescimento de contração.
O setor industrial brasileiro enfrentou redução nas vendas pelo décimo mês seguido, com a segunda contração mais forte em quase três anos. Os fabricantes de bens de capital lideraram o declínio na produção, enquanto os segmentos de bens intermediários e de investimento também apresentaram quedas significativas nas vendas totais. Já os produtores de bens de consumo registraram retração apenas marginal.
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No caso das exportações, participantes da pesquisa apontaram as tarifas norte-americanas como principal causa para a queda, com alguns relatando suspensão de pedidos por clientes dos Estados Unidos. Entre os segmentos analisados, apenas o de bens de capital conseguiu aumentar os novos pedidos para exportação.
O nível de emprego no setor industrial diminuiu pelo segundo mês seguido em janeiro. As empresas justificaram essa redução com a necessidade de implementar medidas de controle de custos e reavaliar as condições de demanda diante do cenário atual.
A pesquisa, realizada em janeiro de 2026 e divulgada em 2 de fevereiro, avalia mensalmente as condições do setor industrial brasileiro por meio de consultas a gestores de compras em todo o território nacional, abrangendo empresas que atuam tanto no mercado interno quanto no externo.
Após quatro meses concedendo descontos, as empresas industriais voltaram a elevar seus preços em janeiro devido a novas pressões sobre os custos. Os insumos ficaram mais caros pela primeira vez em três meses. As companhias pagaram valores maiores por alimentos, commodities, componentes eletrônicos, metais, plásticos e têxteis.
“Os primeiros dados do PMI de 2026 reforçam um padrão observado nos meses recentes, com os fabricantes brasileiros avançando para um cenário ainda mais acentuado de retração, em função da persistente fraqueza da demanda”, disse em nota a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima.
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“Diante da contínua redução nos pedidos em atraso, a ausência de novos projetos e a preferência das empresas por estoques enxutos, é provável que a produção permaneça em território contracionista no curto prazo”, completou.
Apesar do quadro de retração, o levantamento identificou melhora na confiança dos fabricantes brasileiros. O nível de otimismo alcançou o patamar mais elevado desde junho de 2025. Essa confiança baseia-se nas expectativas de cortes na taxa de juros, melhores condições de demanda, investimentos planejados e lançamento de novos produtos.
