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Grupo Fictor: o que faz a empresa que tentou comprar o Master e pediu recuperação judicial

Empresa atribui problemas à liquidação do Banco Master pelo BC, que ocorreu um dia após anúncio de acordo para compra da instituição financeira

A Fictor Holding e a Fictor Invest, empresas pertencentes ao Grupo Fictor, entraram com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), com dívidas que totalizam R$ 4 bilhões.

O grupo, que atua em múltiplos setores da economia brasileira, havia anunciado em novembro do ano passado a intenção de adquirir o Banco Master em parceria com investidores dos Emirados Árabes Unidos.

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O documento solicita a suspensão e o bloqueio das cobranças por um período de 180 dias para as duas empresas. As demais subsidiárias do conglomerado não foram incluídas no processo e manterão suas operações normais, segundo informações da própria companhia.

Ligação com o Banco Master

O grupo atribui seus problemas financeiros à liquidação do Banco Master determinada pelo Banco Central (BC). A intervenção ocorreu apenas um dia após a Fictor ter divulgado acordo para aquisição da instituição financeira, em conjunto com investidores árabes.

A sequência de eventos começou em 17 de novembro de 2025, quando a empresa anunciou o acordo para compra do banco. No dia seguinte, o BC decretou a liquidação da instituição financeira, o que teria provocado uma crise de confiança no mercado em relação ao Grupo Fictor.

Fundado em 2007 como empresa de soluções tecnológicas, o Grupo Fictor diversificou suas atividades ao longo dos anos. Em 2013, realizou sua primeira operação de private equity, modalidade de investimento na qual investidores adquirem participação em empresas privadas com alto potencial de crescimento.

Leia mais: Fictor pede recuperação judicial com dívidas de R$ 4 bi após crise com Banco Master

A expansão continuou em 2018, quando ingressou no mercado de trading de commodities do agronegócio. Em 2022, a Fictor Holding estabeleceu uma joint venture com a One Off Investment, que se transformaria na Fictor Invest. No mesmo ano, o grupo ampliou suas operações para 10 empresas sob gestão.

O conglomerado entrou no setor energético em 2023 com a criação da Fictor Energia. Em 2024, lançou a FictorPay para oferecer serviços de tecnologia financeira, adquirência e crédito. Ainda naquele ano, a Fictor Alimentos foi listada na B3, negociando suas ações sob o ticker FICT3. Em 2025, o grupo anunciou a abertura de escritórios fora do Brasil.

Relação com esportes

Em março de 2025, a empresa firmou contrato de patrocínio com o Palmeiras no valor de R$ 25 milhões por temporada, com potencial para alcançar R$ 30 milhões mediante cumprimento de metas. O acordo tem duração de três anos, prorrogáveis por mais um.

Duas semanas antes de anunciar a compra do Master, a Fictor também estabeleceu parceria com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), comprometendo-se a investir R$ 21 milhões até março de 2029.

O TJ-SP já havia determinado anteriormente o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor. No comunicado sobre a recuperação judicial, o grupo afirmou que pretende quitar todas as dívidas sem deságio, negociando apenas os prazos de pagamento.

“A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, informou a companhia.

A Fictor explicou que, após o anúncio da liquidação do Banco Master pelo BC, “a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”.

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