Saiba como o preço do combustível impacta no aumento das passagens aéreas

Querosene de aviação subiu 55% e deve elevar preços dos bilhetes; entenda como funciona a composição de custos das companhias

Por Redação TMC | Atualizado em
Avião da Azul Linhas Aéreas decola do Aeroporto de Congonhas
Avião da Azul Linhas Aéreas decola do Aeroporto de Congonhas (Rovena Rosa/Agência Brasil)

As passagens aéreas devem ficar mais caras em breve e o motivo está diretamente ligado a Guerra no Oriente Médio. A resposta está, em grande parte, no querosene de aviação (QAV) — o combustível que abastece os aviões. Nesta quarta-feira (1º), a Petrobras confirmou o reajuste de quase 55% no preço do produto, e isso deve impactar diretamente o valor dos bilhetes nas próximas semanas.

Para entender essa relação, é importante saber que o combustível representa uma das maiores fatias dos custos operacionais de uma companhia aérea. Quando o QAV fica mais caro, as empresas precisam repassar esse aumento para o consumidor final — ou seja, para quem compra passagem.

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Por que o combustível de aviação subiu tanto?

O aumento recente do querosene de aviação está diretamente ligado à disparada do petróleo no mercado internacional. As tensões geopolíticas envolvendo ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã levaram ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Com essa passagem comprometida, o barril de petróleo ultrapassou os US$ 100. Como o querosene de aviação é derivado do petróleo, quando o preço do barril sobe, o combustível das aeronaves também encarece proporcionalmente.

Como o combustível compõe o preço da sua passagem

Para você ter uma ideia mais clara: em condições normais, o combustível pode representar entre 20% e 35% dos custos operacionais de uma companhia aérea. Isso significa que, em uma passagem de R$ 500, cerca de R$ 125 a R$ 175 vão para cobrir apenas o querosene.

Quando o QAV sobe mais de 50%, como aconteceu agora, esse valor pode saltar para R$ 190 a R$ 270 na mesma passagem. Para não operar no prejuízo, as companhias repassam esse custo extra — e a passagem que custava R$ 500 pode facilmente chegar a R$ 600 ou R$ 700, dependendo do destino e da época.

Além do combustível, outros custos compõem o preço final do bilhete: taxas aeroportuárias, manutenção das aeronaves, salários da tripulação, aluguel de aviões (leasing) e impostos. Mas o QAV é o item mais volátil — ou seja, o que mais oscila conforme o cenário internacional.

Companhias aéreas já sentem o impacto

Companhias aéreas globais já reportaram aumentos milionários em seus custos. O presidente-executivo da Delta Air LinesEd Bastian, afirmou que o aumento do combustível elevou os custos da companhia em até US$ 400 milhões somente em março. A American Airlines também espera um aumento de US$ 400 milhões nas despesas do primeiro trimestre.

Algumas companhias estão cortando voos menos lucrativos e aumentando tarifas para compensar as despesas mais altas.

Passagens aéreas já subiram quase 6% em março

Os números oficiais já refletem essa alta. Segundo o IBGE, as passagens aéreas avançaram 5,94% na prévia de março, medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15). Esse foi o maior impacto individual no grupo de transportes do mês.

As viagens de ônibus intermunicipais também subiram 1,29%, influenciadas por reajustes de mais de 10% no Rio de Janeiro e em Curitiba. Por outro lado, os ônibus urbanos registraram queda de 0,59%, ajudando a conter o índice geral.

Governo estuda medidas para aliviar o bolso do consumidor

O governo federal tenta acelerar medidas para mitigar o impacto da elevação no preço das passagens aéreas. Entre as propostas estão zerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre empresas aéreas, reduzir as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível e rever o Imposto de Renda sobre o leasing das aeronaves.

Ministério de Portos e Aeroportos entregou o pacote ao Ministério da Fazenda na semana passada e aguarda uma decisão.

O que esperar para os próximos meses

Enquanto o conflito no Oriente Médio mantiver o Estreito de Ormuz parcialmente fechado, os preços do petróleo devem continuar pressionados e, consequentemente, o custo das passagens aéreas também. Segundo especialistas do setor, o cenário pode levar algumas companhias a reduzir opções de voos para determinadas cidades.

Para quem está planejando viajar nos próximos meses, vale a pena ficar de olho nas oscilações dos bilhetes e considerar antecipar a compra de passagens antes que novos reajustes sejam anunciados.

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