Galípolo diz que sociedade brasileira rejeita inflação elevada e não tolera mais índices altos

Presidente do Banco Central afirmou em seminário da FGV que população mudou postura em relação ao passado, quando país convivia com inflação próxima a 8% ao ano

Por Redação TMC | Atualizado em
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo
(Foto: Alexandre Boiczar/Banco Central)

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que a sociedade brasileira atual rejeita índices elevados de inflação. A declaração foi feita nesta segunda-feira (06/04), durante o XII Seminário Anual de Política Monetária, promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), no Rio de Janeiro. Galípolo destacou que essa postura da população representa mudança em relação ao passado.

O dirigente ressaltou que o Brasil era reconhecido por conviver com inflação próxima a 8% ao ano. Essa realidade mudou. A transformação representa aspecto positivo para a condução da política econômica, segundo o presidente da autoridade monetária.

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“As pesquisas e todos os tipos de informação que a gente tem mostram que esta é uma sociedade que não tolera mais inflação”, afirmou.

Galípolo acrescentou que essa vigilância da população contra a inflação beneficia o trabalho do BC. “Não tem nada melhor para um banqueiro central do que essa incorporação de uma vigilância contra a inflação dentro da sociedade”, pontuou.

O presidente do Banco Central abordou como a população percebe a economia em momentos de choque de oferta. O país enfrenta atualmente essa situação devido à guerra no Oriente Médio.

“Você pode estar tendo uma inflação baixa, mas conviver com as duas coisas simultaneamente: uma inflação baixa com um nível de preço relativo, especialmente porque a receita e a renda das pessoas não cresceram na mesma velocidade que esses degraus que a gente assistiu de pancada a partir de cada um desses choques de oferta”, afirmou.

O conflito no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro deste ano. A guerra provocou pressões inflacionárias. A elevação nos preços do petróleo gerou efeitos inflacionários em diversos países.

No Brasil, o diesel registrou aumentos superiores a 22%. O combustível funciona como um dos principais indicadores dos impactos do conflito. A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15 de março, apresentou resultado acima das estimativas iniciais.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará a inflação oficial de março na próxima sexta-feira (10/04). O índice de 2025 encerrou em 4,26%. As estimativas para 2026 apontavam para valores inferiores a 4%. As perspectivas atuais indicam patamares na faixa de 4,3%.

A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, encontra-se em 14,75% ao ano. O Banco Central utiliza esse instrumento como mecanismo central para administrar os preços na economia. O controle da inflação é um dos principais objetivos da instituição.

O Comitê de Política Monetária (Copom), composto pelos diretores do BC, é responsável por definir a Selic. O colegiado realizará reunião no fim deste mês para decidir sobre redução, manutenção ou elevação da taxa.

No evento da FGV, Galípolo não sinalizou qual será a decisão sobre os juros. Ele se limitou a defender a postura mais restritiva que o Copom adotou anteriormente.

“Foi dessa cautela que a gente vem se beneficiando recentemente. As medidas que foram tomada ao longo das últimas reuniões do Copom foram mais cautelosas e permitiram a gente a gente enfrentar um choque numa situação mais favorável”, destacou.

Leia mais: Focus: mercado eleva projeção de inflação para 4,36% pela 4ª semana seguida

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