Ao Vivo TMC
Ao Vivo TMC
InícioEconomiaSupremo volta a analisar prorrogação da desoneração da folha...

Supremo volta a analisar prorrogação da desoneração da folha para 17 setores; entenda

Análise será realizada em plenário virtual até 6/03; maioria inicial votou para invalidar a prorrogação aprovada em 2023

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta sexta-feira (27/02) o julgamento que discute a constitucionalidade da lei que prorrogou a desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia.

A análise ocorre em plenário virtual, com início às 11h e término previsto para a sexta que vem (6/03), às 23h59. O processo estava suspenso desde outubro, após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes — instrumento que interrompe temporariamente o julgamento para análise mais aprofundada.

Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo

Antes da suspensão, o placar estava em 3 votos a 0 para considerar a lei inconstitucional. O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, votou para derrubar dispositivos da norma aprovada em 2023. Ele foi acompanhado pelos ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes.

No voto, Zanin argumentou que o Congresso Nacional aprovou a prorrogação sem apresentar estimativa de impacto orçamentário e sem indicar medidas de compensação, o que violaria regras constitucionais de responsabilidade fiscal e o princípio da sustentabilidade das contas públicas.

Por que o governo acionou o STF?

A ação foi apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a decisão do Congresso que prorrogou a desoneração.

O governo sustenta que a lei descumpriu o artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que exige estimativa de impacto financeiro e indicação da fonte de custeio para medidas que impliquem renúncia de receita.

Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), mesmo após negociações com o Legislativo, haveria risco de impacto bilionário nas contas públicas.

O que é a desoneração da folha?

A desoneração foi criada em 2011 para setores intensivos em mão de obra. A política substitui a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de salários por alíquotas entre 1% e 4,5% sobre a receita bruta.

Na prática, a medida reduz o custo de contratação e manutenção de empregados. O benefício alcança 17 setores:

  • confecção e vestuário
  • calçados
  • construção civil
  • call center
  • comunicação
  • construção e obras de infraestrutura
  • couro
  • fabricação de veículos e carroçarias
  • máquinas e equipamentos
  • proteína animal
  • têxtil
  • tecnologia da informação (TI)
  • tecnologia da informação e comunicação (TIC)
  • projeto de circuitos integrados
  • transporte metroferroviário de passageiros
  • transporte rodoviário coletivo
  • transporte rodoviário de cargas

Esses segmentos reúnem milhares de empresas e empregam milhões de trabalhadores.

Acordo entre Executivo e Congresso

Após o impasse, governo e Congresso costuraram um acordo prevendo reoneração gradual entre 2025 e 2027, com retorno integral da cobrança sobre a folha a partir de 2028.

Pelo modelo aprovado e sancionado em 2024:

  • 2025: empresas pagam 80% da alíquota sobre a receita bruta e 25% sobre a folha
  • 2026: 60% sobre a receita e 50% sobre a folha
  • 2027: 40% sobre a receita e 75% sobre a folha
  • 2028: retorno integral da cobrança sobre a folha

O relator, porém, optou por não analisar o mérito desse acordo, já que ele não foi questionado diretamente na ação.

Leia mais: A decisão do STF de endurecer o tratamento aos crimes contra a honra de servidores públicos

O que está em jogo?

O julgamento pode definir se a prorrogação aprovada pelo Congresso em 2023 respeitou as regras fiscais previstas na Constituição.

Caso a maioria seja mantida, o STF poderá declarar a lei inconstitucional, consolidando o entendimento de que benefícios tributários precisam obrigatoriamente indicar impacto financeiro e fonte de compensação.

A decisão terá impacto direto sobre empresas beneficiadas e sobre o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.

MAIS LIDAS

Notícias que importam para você

Fachada do BRB

BRB sofre pressão externa por privatização e alerta para paralisia de serviços

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, sofre pressão externa pela privatização do banco, segundo o...
Mapa do Estreito de Hormuz

Preço do petróleo pode atingir 100 dólares se conflito no Irã se intensificar, diz especialista

O conflito no Oriente Médio, desencadeado após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã no fim de semana,...
Pessoa olha o celular diante de painel com números do mercado de ações

Petróleo dispara 10% e bolsas globais caem com escalada militar no Oriente Médio

Brent fecha em 79,90 dólares o barril e índices europeus recuam 1,7% após intensificação de ataques entre Israel e Irã nesta segunda-feira
As empresas colocadas sob monitoramento passarão por análises mais detalhadas quanto ao destino e à aplicação dos produtos adquiridos (Crédito: Marissa Lewis/Unsplash)

China bloqueia venda de produtos de uso duplo para 20 empresas de defesa do Japão

Restrição atinge grandes contratadas como Mitsubishi Heavy Industries e IHI Corp, impedindo aquisição de itens com aplicação civil e militar