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Eduardo Mendes
Eduardo Mendes Mais sobre o autor

Especialista em inovação e economia criativa. Em sua coluna, explora as transformações da creator economy, novos formatos de mídia e as estratégias comerciais que estão moldando o futuro da comunicação digital.

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A intenção empreendedora por trás da nova economia da mídia

MoffettNathanson coloca o YouTube no topo da mídia global enquanto a Banijay leva um programa da Netflix para a plataforma em sua aposta na creator economy. São sinais de uma indústria que passa a construir conteúdo como ativo

Por Eduardo Mendes | Atualizado em
Câmera Fotográfica

O The Publish Press citou a Banijay como exemplo de produtora que passou a trabalhar com criadores para reviver formatos populares de competição, como Minute to Win It, adaptados para o YouTube. A menção aparece no contexto de uma notícia que ajuda a dimensionar o momento atual da indústria: Phil Rosenthal está levando seu programa exclusivo da Netflix, Somebody Feed Phil, para o YouTube a partir de 2027.

Segundo a publicação, Rosenthal, mais conhecido por criar Everybody Loves Raymond, está em parceria com a produtora francesa para adaptar o programa a uma nova plataforma e alcançar um público mais amplo.

Ao longo de 2025, Marco Bassetti chamava de “esforços de transformação digital” a aceleração da Banijay para explorar a viralidade gerada por criadores que desenvolveram e apresentaram sua própria programação sem roteiro.

Na MIPCOM em Cannes do ano passado, o CEO anunciou planos para criar um Laboratório de Criadores de Entretenimento, com o objetivo de emparelhar estrelas francesas do YouTube com IP inativo e dar € 50 mil/cada para desenvolver novos pilotos.

Detalhei, ontem, o caso da fusão entre Banijay e All3Media para discutir como essa junção sinaliza uma mudança mais ampla na economia do conteúdo.

Nesta semana, uma nova pesquisa da MoffettNathanson adiciona outro contexto importante a esse debate: o YouTube já é a maior empresa de mídia do mundo.

A consultoria estima que o YouTube tenha gerado cerca de US$ 62,3 bilhões em receita em 2025. A projeção é consistente com a declaração recente do CEO do Google e da Alphabet, Sundar Pichai, de que as receitas do YouTube já “ultrapassaram US$ 60 bilhões em anúncios e assinaturas”, lembrou a Sherwood.

É uma comparação que ajuda a dimensionar o tamanho desse número. No último ano fiscal, as divisões de Entretenimento e Esportes da Disney, que incluem desde os US$ 6,58 bilhões arrecadados nas bilheterias globais em 2025 até as assinaturas de Disney+, Hulu e ESPN, geraram US$ 60,2 bilhões em receita.

A MoffettNathanson também estima que o valor de mercado do YouTube esteja entre US$ 500 bilhões e US$ 560 bilhões, acima da capitalização atual da Netflix, avaliada em cerca de US$ 417 bilhões.

Afinal, qual é o tamanho do YouTube? A pergunta feita pela Sherwood instiga e permite ampliar a discussão por outro ângulo: o movimento de Rosenthal com a Banijay ajuda a refletir sobre os dois pontos de partida distintos da mídia moderna.

A tese discutida por Jonathan Glazier esta semana diz que muitos projetos de mídia digital são agora melhor compreendidos como veículos de investimento do que como simples ideias de programas. Eles são concebidos para atrair credibilidade, capital e engajamento do público, na esperança de construir valor a longo prazo.

O primeiro modelo, o tradicional de encomenda, conforme destacou o consultor, ainda é a lógica básica da maioria das encomendas de emissoras e serviços de streaming.

No Reino Unido, por exemplo, o relatório Media Nations 2025, da Ofcom, mostra como o comportamento do público continua migrando rapidamente para a visualização digital, enquanto as emissoras tradicionais permanecem sob pressão para adaptar seus modelos de negócio e preservar a atenção do público em um ambiente cada vez mais fragmentado.

Essa pressão torna os projetos sob demanda ainda mais dependentes da estratégia das plataformas.

O segundo ponto de partida é diferente, aponta Glazier.

Grande parte do trabalho que prioriza o digital não começa com um contratante perguntando “Do que precisamos?”, mas com um fundador, produtor, criador ou marca questionando “O que podemos construir?”.

É nesse contexto que o YouTube ratifica ser o epicentro impulsionador do mídia independente liderada por indivíduos.

O analista destaca como um ativo pode se tornar um canal na plataforma, um programa criado por um autor, um formato para redes sociais, uma comunidade paga, um negócio de newsletter, uma franquia financiada por marca, uma rede de podcasts, uma série de documentários curtos ou uma IP que posteriormente pode ser adaptada para a televisão.

O valor não está apenas em produzir o conteúdo, mas em possuí-lo, desenvolvê-lo, monetizá-lo e potencialmente transformá-lo em algo maior do que a versão inicial.

Essa interpretação aparece em dados mais amplos do mercado.

Glazier cita o relatório “Tendências da Mídia Digital 2025”, da Deloitte, que aponta como plataformas sociais, criadores de conteúdo e vídeos gerados por usuários estão se tornando um novo centro de gravidade da mídia e do entretenimento, atraindo tanto atenção do público quanto investimentos publicitários.

Quando discuti a fusão da Banijay, também destaquei esse ponto: a construção de ativos por meio de conteúdos.

Uma propriedade intelectual forte pode ser monetizada em múltiplas camadas. A analista Annie Krukowska observa que muitas empresas de televisão perderam terreno justamente porque seus ativos nunca foram estruturados para se expandirem além da janela inicial de exibição.

E aqui a creator economy justifica a alcunha de quarto poder.

Na visão de Glazier, ainda existe um equívoco recorrente da mídia tradicional. Muitas organizações olham para projetos que priorizam o digital e assumem que se tratam apenas de versões mais baratas e menos sofisticadas da televisão.

Frequentemente, não são!

Esses projetos se aproximam mais de startups do que de produções tradicionais. São construídos em torno de autonomia criativa, velocidade de execução, iteração constante, aprendizado direto com o público e flexibilidade de monetização.

“O primeiro objetivo não é satisfazer um comissário de programação. É provar que conseguem gerar valor.”

É por isso que o analista defende que o YouTube deixou de ser apenas um lugar para publicar vídeos. A plataforma foi estruturada para permitir a construção de empresas de mídia lideradas por criadores.

Na radiodifusão tradicional, a pergunta, provoca Glazier, sempre foi simples: “alguém vai encomendar isso?” Na mídia que prioriza o digital, a questão mais relevante costuma ser outra: “isso pode gerar valor?”

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