Afrika Bambaataa, com mais de 40 anos de carreira, morreu nesta quinta-feira (09/04) aos 67 anos. Afrika foi uma das principais vozes da cultura hip-hop, sendo inclusive o pioneiro. Entre ele e o Brasil há uma relação inesperada: a sua influência ajudou a moldar um dos gêneros mais populares do país: o funk carioca.
O artista norte-americano construiu uma relação sólida com o público brasileiro ao longo de décadas, tanto pela influência musical quanto pelas conexões diretas com artistas locais.
Como Afrika Bambaataa influenciou o funk carioca?
A ligação com o Brasil começou ainda nos anos 1980, com o lançamento de “Planet Rock”, canção de Afrika Bambaataa em parceria com o The Soulsonic Force. A faixa é considerada um marco na música eletrônica e teve papel fundamental na formação do chamado “funk de baile” no Rio de Janeiro.
Seu ritmo, fortemente influenciado pelo electro e pelo miami bass, serviu de base para as famosas “melôs” que dominaram os bailes cariocas nas décadas seguintes. Elementos da música também dialogam com referências africanas, algo que se conectou diretamente com a identidade sonora das periferias brasileiras.
Em entrevista ao “Globo” em 2010, explicou como se deu essa proximidade com o Brasil. “Vejo minha música no funk carioca, definitivamente. É tudo parte do electro funk, é minha família. Aqui, são usados mais os ritmos mais próximos da África”.
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Parcerias e presença no Brasil
A relação de Bambaataa com o país não ficou restrita à influência indireta. O artista visitou o Brasil diversas vezes, seja em turnês ou sendo convidado para eventos importantes, como a Virada Cultural, em São Paulo.
Além disso, colaborou com nomes relevantes da música brasileira, como Fernanda Abreu, “embaixadora” do funk carioca, com quem lançou a música “Tambor”. A parceria reforçou a conexão entre o hip-hop internacional e o funk nacional, misturando elementos eletrônicos com ritmos brasileiros.
Artistas como Marcelo D2 também incorporaram referências ao trabalho de Bambaataa em suas músicas.
Zulu Nation e impacto cultural no Brasil
Além de tudo isso, Bambaataa ainda criou a Zulu Nation, organização que promove valores como paz, união e consciência social por meio da cultura hip-hop.
“A Nação Zulu representa: conhecimento, sabedoria, compreensão, liberdade, justiça, igualdade, paz, unidade, amor, respeito, trabalho, diversão, superação do negativo para o positivo, economia, matemática, ciência, vida, verdade, fatos, fé e a unidade de Deus”.
No Brasil, o movimento encontrou eco em artistas como Rappin’ Hood, que ajudaram a difundir seus princípios em comunidades e projetos culturais. Assim como Marcelo D2 em diversas músicas e no álbum “À Procura da Batida Perfeita” em que faz referência direta ao artista norte-americano.
Mais do que música, a proposta da Zulu Nation contribuiu para fortalecer o hip-hop como ferramenta de transformação social, especialmente em regiões periféricas.
Legado de Afrika Bambaataa
Afrika Bambaataa nasceu no Bronx, em Nova York, no fim dos anos 1950, e teve envolvimento inicial com a gangue Black Spades, na qual chegou a ocupar posição de liderança. A partir dos anos 1970, passou a organizar festas de rua que ajudaram a consolidar o hip-hop como movimento cultural na região.
Em 1980, lançou “Zulu Nation Throwdown”, ligado à Universal Zulu Nation. Dois anos depois, ganhou projeção internacional com “Planet Rock”, faixa que mistura hip-hop e música eletrônica, e influenciou gêneros como techno, house, funk carioca e EDM.
Nos últimos anos de vida, o artista enfrentou controvérsias judiciais após acusações de abuso sexual relacionadas a fatos das décadas de 1980 e 1990. Em 2025, chegou a firmar acordo em um dos processos. O cantor de hip-hop morreu por complicações de um câncer durante a madrugada de hoje.




