A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviou notificação oficial à Portela e à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) nesta segunda-feira (16/02) devido ao uso de drone com pessoa a bordo durante o desfile no Sambódromo. A prática viola as normas brasileiras de aviação, que proíbem o transporte de pessoas em equipamentos deste tipo.
O aparelho foi utilizado na comissão de frente da agremiação. Um integrante do grupo cênico realizou um sobrevoo de 40 segundos sobre um tripé alegórico e outros bailarinos. A manobra foi executada quatro vezes ao longo da passagem pela Marquês de Sapucaí.
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A Anac solicitou à escola informações detalhadas sobre o equipamento, como modelo, número de série, comprovação de registro junto à agência e dados de quem operou remotamente a aeronave. A Portela tem dez dias para responder à notificação.
A operação de drones no Brasil é regulamentada pelo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil 94 (RBAC-E nº 94), que estabelece normas específicas para uso desses equipamentos. Entre as restrições está “expressamente proibido” o transporte de pessoas, animais ou materiais perigosos.
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A norma determina que “o piloto não pode, em hipótese alguma, colocar vidas em risco” durante a operação. É necessário também manter distância horizontal mínima de 30 metros entre o drone e estruturas que possam ser atingidas em caso de falha.
Em comunicado, a Anac destacou que a prática de sobrevoo com pessoas a bordo apresenta “risco de acidentes, inclusive fatais”.
O equipamento usado pela Portela, denominado “superdrone” pela escola, possui configuração diferenciada dos modelos convencionais. Trata-se de um aparelho robusto com oito hélices e múltiplas baterias especiais, cuja autonomia máxima chega a cinco minutos. Após cada voo, o bailarino e o drone retornavam ao tripé alegórico para recarga.
Na apresentação da comissão de frente, o artista que voou no “Superdrone” representava o Negrinho do Pastoreio, personagem do folclore gaúcho. O “voo encantado” simbolizava um momento de “libertação” do personagem, alinhado ao enredo da escola para 2026, que abordou a negritude no Rio Grande do Sul.
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