A Agência Nacional do Cinema (Ancine) abriu investigação para definir se o filme ‘Dark Horse’, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, deve ser classificado como produção brasileira ou estrangeira. A obra é falada em inglês e conta com elenco, direção e roteiro assinados por profissionais americanos.
A produtora responsável, Go Up Entertainment, possui sede na Califórnia e obteve registro como agente econômico na Ancine em julho de 2025. A agência apura se houve comunicação prévia sobre o projeto, conforme exigem as normas de registro.
Enquanto a investigação avança, um dossiê elaborado pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP) reúne relatos graves de profissionais que trabalharam na produção. Os depoimentos descrevem violência física, abuso psicológico e ambiente de trabalho degradante durante as gravações realizadas no ano passado.
Segundo os trabalhadores ouvidos pelo sindicato, o medo de represálias profissionais e de prejuízos à carreira impede que os casos cheguem à Justiça. A maioria prefere não formalizar denúncias, mesmo diante das situações relatadas.
De acordo com as regras, produzir no Brasil obras estrangeiras sem comunicar a Ancine pode gerar uma multa que varia entre R$ 2 mil e R$ 100 mil.
A classificação do filme pela Ancine determina quais incentivos fiscais e cotas de exibição se aplicam à obra. Se considerado brasileiro, o longa pode acessar benefícios destinados à produção nacional. Se classificado como estrangeiro, segue regras distintas de distribuição e exibição no país.
Além disso, as denúncias de maus-tratos expõem fragilidades na fiscalização das condições de trabalho no audiovisual brasileiro, setor que historicamente enfrenta desafios de regulamentação e proteção aos profissionais.
Próximos passos
A Ancine não divulgou prazo para conclusão da investigação. A agência deve analisar documentos da produtora, contratos com profissionais brasileiros e o percentual de participação nacional no projeto antes de emitir a classificação definitiva.
O Sated-SP mantém o dossiê à disposição de autoridades e aguarda posicionamento sobre as denúncias de violência. O sindicato reforça a necessidade de mecanismos de proteção para trabalhadores do setor, especialmente em produções que envolvem empresas estrangeiras operando no Brasil.
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