O Museu do Louvre, em Paris, elevou para 32 euros (cerca de R$ 200) o valor do ingresso para visitantes de fora do Espaço Econômico Europeu. A mudança entrou em vigor na quarta-feira (14/01) e estabelece uma diferença de 10 euros (aproximadamente R$ 63) em relação ao preço cobrado de turistas europeus, que pagam 22 euros. A medida gerou críticas entre visitantes de países não europeus.
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Segundo o Ministério da Cultura da França, a arrecadação adicional, estimada entre 20 e 30 milhões de euros por ano, será destinada ao projeto de renovação e modernização das instalações do museu mais visitado do mundo, que recebeu nove milhões de pessoas no ano passado.
Além do Louvre, outros pontos turísticos parisienses como a Sainte-Chapelle e a Conciergerie também implementaram esta semana um sistema de tarifas diferenciadas conforme a origem do visitante.
A diferenciação de preços por nacionalidade não é prática comum em instituições culturais. Embora o valor cobrado pelo Louvre seja comparável ao de outros museus importantes, a cobrança baseada no país de origem do visitante não é amplamente adotada na Europa.
A brasileira Marcia Branco, que visitava o museu na quarta-feira, expressou sua insatisfação com a nova política.
“Se eu vou para a Índia, os indianos pagam menos, e isso é justo, porque têm menos dinheiro”, afirmou à agência AFP.
“Mas estou em um país rico. Venho de um país menos rico, então acho injusto pagar muito mais”, acrescentou.
A uruguaia Pamela González, que aguardava na fila para entrar no Louvre com seu filho adolescente, também criticou a decisão.
“É injusto para quem vem de mais longe, porque você favorece quem já está aqui e fica muito mais barato do que para nós, que viajamos mais de 10 mil quilômetros”, declarou.
González ressaltou o impacto financeiro para turistas latino-americanos.
“Para nós, a passagem é muito cara; a estadia também, por causa do câmbio. E ainda colocam um custo 50% maior”, lamentou.
Nem todos os visitantes estrangeiros se opõem à nova política. O australiano Kevin Flynn, que viaja pela França com sua esposa Sonia, considerou os valores aceitáveis.
“É o mesmo preço de muitas coisas na Itália, em Malta”, afirmou.
Os sindicatos dos funcionários do Louvre manifestaram-se contrários à medida, classificando-a como “ofensiva do ponto de vista filosófico, social e humano“. Esta questão se soma às reivindicações que motivam protestos e greves dos trabalhadores do museu, que buscam melhores condições laborais.
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A nova política afeta especificamente visitantes de fora do Espaço Econômico Europeu, que inclui os países da União Europeia além de Islândia, Liechtenstein e Noruega.
