A jornalista e crítica de cinema Lorena Montenegro falou ao vivo no TMC 360, na manhã desta segunda (12/01), sobre as vitórias de “O Agente Secreto” (Melhor Filme Internacional) e Wagner Moura (Melhor Ator) no Golden Globes. O título é inédito no caso do ator, mas o filme “Central do Brasil” já havia conquistado o troféu de melhor produção internacional em 1999.
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Lorena, inclusive, teve poder de voto nas duas últimas edições do Globo de Ouro: nesta, ela esteve “apenas na torcida”, mas também realizando cobertura jornalística do evento. A paraense falou também que o Globo de Ouro tem suas diferenças com relação a outros prêmios, mas também tem influência sob eles.
“Por mais que ele [Globo de Ouro] não sirva como uma ‘prévia’ ao Oscar (…) ele ajuda a colocar os filmes nos debates, discussões e diálogos”, explicou Lorena.
Entre as diferenças entre os prêmios, a principal é o público votante: no Oscar, por exemplo, votam membros da Academia – como produtores, diretores e afins – e não jornalistas e críticos, como é o caso no Globo de Ouro.
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Para Lorena, o engajamento do público brasileiro nas redes tem um peso considerável no desempenho dos filmes, mas não é o principal fato. “As premiações não são bobas, eles sabem que os brasileiros mais ‘cronicamente online’ engajam muito,” diz a jornalista, completando: “A gente também precisa de incentivos fiscais, considerando que 70% do audiovisual brasileiro é produzido de forma estatal (…) isso que faz a diferença, isso que faz com que todo ano possamos ter um, dois filmes com chances reais [de vencer]”.
O filme “O Agente Secreto” já é um sucesso internacional, e no Brasil, passou da marca de 1,5 milhões de espectadores. Por isso, Lorena afirma que mesmo que exista uma rejeição de parte do público brasileiro ao filme – por questões políticas, já que este aborda o período da ditadura militar – ele “vai dialogar com muita gente”.
“O cinema é feito de discursos, histórias e narrativas, e esse filme consegue contemplar todas as questões que envolvem essas duas pessoas [Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho] envolvidas nesse projeto (…). Ele fala de ontem – o Brasil dos anos 70 – para refletir esse mundo de hoje, mais polarizado”, disse a jornalista.
