Um componente da comissão de frente da Portela sobrevoou a Marquês de Sapucaí montado em um superdrone iluminado durante o desfile da escola na madrugada desta segunda-feira (16/02). O bailarino mascarado decolou após a abertura do tripé de apoio do equipamento, passando por cima dos demais integrantes da comissão. A inovação tecnológica representou a libertação do Negrinho do Pastoreio na narrativa que integrou elementos do Batuque do Rio Grande do Sul.
A comissão de frente da agremiação foi dividida em quatro atos que narraram o diálogo entre o orixá Bará e o Negrinho do Pastoreio, personagens condutores do enredo. Os espectadores nas frisas e degraus próximos à pista puderam sentir a força das hélices do “drone gigante” durante a apresentação.
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A encenação mostrou a interação entre Bará, divindade dos caminhos no Batuque gaúcho, e o Negrinho do Pastoreio. Na história, Bará pede ao Negrinho que encontre uma narrativa perdida na névoa, resultando no resgate da trajetória do Príncipe Custódio, importante líder religioso que organizou o Batuque no Sul.
A comissão de frente retratou a chegada de Custódio ao Rio Grande do Sul, destacando sua atuação religiosa e política. A apresentação também abordou o assentamento de Bará no Mercado Público de Porto Alegre, local considerado sagrado pelos praticantes da religião.
O Negrinho do Pastoreio é uma das lendas mais conhecidas do folclore gaúcho. A história conta a vida de um menino negro escravizado que vivia em uma estância, onde sofria maus-tratos do seu senhor após ficar órfão. Ao ser designado para cuidar de um grupo de cavalos, um dos animais sumiu, levando o menino a ser severamente castigado.
Em algumas versões da lenda, o Negrinho é abandonado em um formigueiro para morrer. No dia seguinte, o senhor encontra o menino vivo, sem ferimentos, ao lado da Virgem Maria, enquanto os cavalos reapareciam. O garoto então desaparece, tornando-se uma figura encantada.
A tradição popular atribui ao Negrinho do Pastoreio o poder de ajudar a encontrar objetos perdidos. Quem perde algo deve acender uma vela e fazer um pedido, retribuindo com outra vela quando o objeto é encontrado.
Estudiosos interpretam esta lenda como uma narrativa que expõe a violência da escravidão no Sul do Brasil, transformando o menino em um símbolo de proteção e esperança para a população.
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