Quatro escolas de samba abriram os desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro na noite de domingo (15/02) e madrugada desta segunda-feira (16/02), com Imperatriz Leopoldinense e Estação Primeira de Mangueira como principais destaques. Acadêmicos de Niterói e Portela completaram o grupo de agremiações que se apresentou no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Todas as escolas cumpriram o limite máximo de 80 minutos para atravessar a avenida.
A Acadêmicos de Niterói abriu as apresentações, seguida pela Imperatriz Leopoldinense, Portela e, por fim, a Estação Primeira de Mangueira. Cada escola trouxe temas distintos para seus enredos, celebrando personalidades e elementos culturais brasileiros.
Acadêmicos de Niterói
A estreante Acadêmicos de Niterói, fundada em 2018, fez sua primeira aparição no Grupo Especial com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, que retratou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A escola apresentou uma escultura metálica de mais de 18 metros do petista e o desfile percorreu da infância em Garanhuns à trajetória política em Brasília, com referências ao Nordeste e à chegada ao Planalto.
O momento mais controverso foi a encenação da comissão de frente, em que um personagem caracterizado como Michel Temer passava a faixa presidencial a um palhaço, até que outro integrante, com máscara de Lula, retomava o símbolo e subia uma rampa alusiva ao Palácio do Planalto. A performance dividiu opiniões e repercutiu dentro e fora da avenida.
O tema enfrentou questionamentos judiciais, mas foi liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal. Lula acompanhou o desfile do camarote. A primeira-dama Janja, não desfilou e foi substituída na avenida pela cantora Fafá de Belém.
Imperatriz Leopoldinense
Na madrugada desta segunda-feira (16/02), a Imperatriz Leopoldinense viveu momentos de brilho e tensão na Marquês de Sapucaí com o enredo “Camaleônico”, em homenagem a Ney Matogrosso. O desfile celebrou a trajetória do artista com alegorias grandiosas, figurinos marcantes e forte carga simbólica, transformando a avenida em um grande tributo à irreverência e à ousadia que marcaram sua carreira.
Um dos pontos altos da apresentação foi a entrada de Iza, que roubou a cena ao surgir como “cobra que fuma”, referência direta à capa do álbum Pecado (1977). Rainha de bateria da escola, a cantora apostou em uma fantasia tecnológica que soltava fumaça pela cabeça, reforçando o conceito cênico e arrancando aplausos do público. A performance uniu impacto visual, modernidade e reverência à estética provocadora eternizada por Ney.
O próprio homenageado foi recebido com entusiasmo na concentração e demonstrou emoção ao participar do desfile. Já na avenida, declarou ter acompanhado de perto o processo de construção do enredo e definiu a experiência como “um esplendor”, destacando a riqueza visual da apresentação.
Apesar do brilho, a escola enfrentou um imprevisto: um carro alegórico ficou preso sob um viaduto da Sapucaí, interrompendo o desfile por cerca de quatro minutos. A altura da estrutura impediu a passagem do penúltimo carro, exigindo intervenção técnica para reduzir parte da alegoria manualmente. Após o ajuste e sob aplausos dos bastidores, o cortejo foi retomado, e a Imperatriz concluiu sua homenagem com garra, superando o obstáculo sem comprometer o espetáculo.
Portela
A Portela levou para a Sapucaí um desfile grandioso sobre a cultura e a religiosidade negra no Rio Grande do Sul, em busca do 23º título. Com o enredo “O mistério do Príncipe do Bará”, a escola exaltou o Batuque gaúcho e a trajetória do Príncipe Custódio, reforçando a presença e a resistência negra no estado.
O momento mais impactante veio na comissão de frente: um bailarino mascarado sobrevoou a avenida em um superdrone iluminado, simbolizando a libertação do Negrinho do Pastoreio. A encenação mostrou o diálogo com o orixá Bará e impressionou o público com efeitos de luz e tecnologia inéditos.
O abre-alas, apontado como o maior da história da escola, representou um xirê e reforçou o caráter religioso do enredo. O desfile também foi marcado por emoção na homenagem ao intérprete Gilsinho, lembrado com um canto forte na avenida.
Apesar do espetáculo, a Portela enfrentou problemas técnicos com o quinto carro alegórico, que causaram interrupção momentânea na evolução. Ainda assim, a escola conseguiu se reorganizar e concluir a apresentação dentro do tempo regulamentar.
Mangueira
A Estação Primeira de Mangueira fechou a primeira noite de desfiles com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. A escola homenageou uma figura que completaria 100 anos em 2026 e que se destacou pelos conhecimentos tradicionais no Amapá.
Na comissão de frente, a Mangueira apresentou onças luminescentes que representavam povos e forças ancestrais. O casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola mantém parceria há 4 anos.
Durante o desfile, um carro alegórico da Mangueira colidiu com a base do monumento da Praça da Apoteose e precisou ser desmontado para não atrapalhar a dispersão. Apesar do incidente, a escola conseguiu finalizar sua apresentação dentro do tempo regulamentar.
O samba-enredo da verde e rosa foi marcado por várias “paradinhas” da bateria, característica que agradou ao público presente.
Próximos dias
O carnaval do Grupo Especial continuará com o segundo dia de desfiles entre segunda (16/02) e a madrugada de terça-feira (17/02), com apresentações de Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca.
O terceiro dia está programado para a noite de terça-feira (17/02) e madrugada de quarta (18/02), quando desfilarão Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
