Thelminha, médica e vencedora do BBB 20, encerrou uma batalha judicial de seis anos com uma vitória na Justiça. A 6ª Vara Cível de São Paulo condenou o empresário Rodrigo Branco a pagar R$ 40 mil por danos morais, além de juros e correção monetária, por injúria racial. A sentença foi proferida em 15 de junho.
O caso tem origem em 2020, quando Rodrigo participou de uma live com a influenciadora Ju de Paulla durante a exibição do BBB 20. Na transmissão, ele afirmou que torcer por Thelminha era racismo e que ela só tinha apoio por ser negra. Também fez comentários depreciativos sobre a jornalista Maju Coutinho na mesma ocasião: “Ela é péssima, ela é horrível. Ela fala tudo errado. Eu assisti hoje, ela só está lá por causa da cor. Qual carreira ela tem?”.
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A sentença
A magistrada Flávia Snaider Ribeiro fundamentou a decisão no conceito de racismo estrutural. Em sua sentença, ela destacou: “Nesse contexto, a jurisprudência (…) vem reconhecendo que o racismo transcende a esfera individual e atinge a coletividade, na medida em que reproduz símbolos de opressão estrutural e reforça padrões históricos de exclusão e violência simbólica. A conduta do réu, portanto, não se limita a ofender a vítima individualmente considerada e seus familiares, mas tem a propensão de também atingir a coletividade como um todo ao reproduzir símbolos históricos de inferiorização e exclusão, reclamando resposta compensatória e pedagógico-dissuasória apta a prevenir repetições e a reafirmar o compromisso constitucional e convencional de erradicação do racismo”.
Na segunda-feira, dia 22, Rodrigo publicou um pronunciamento aceitando a condenação. Ele afirmou que não vai recorrer e declarou: “Eu quero, primeiro de tudo, que esse episódio sirva de exemplo na luta contra o racismo. Eu continuo aprendendo. O aprendizado nunca termina com uma sentença, com pagamento, não termina com um vídeo de desculpas. É um exercício diário, no dia a dia, não tem outra forma.”
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O que Thelminha disse
Em postagem nas redes sociais, Thelminha, de 41 anos, relembrou que “Há dois anos venho tentando citar em um processo a pessoa que cometeu explicitamente injúria racial contra mim nas redes sociais. O racismo dói de uma forma que não costuma ser passível de esquecimento. Não sou a favor de linchamentos virtuais, mas quero exercer meu direito de ser ressarcida pelo dano.” Após a condenação, ela ressaltou que o impacto não pode ser desfeito com “um simples pedido de desculpas na frente das câmeras” e que “Ele precisava de punição, uma punição educativa para que ações como essa não se repitam. Uma punição que transcendesse fronteiras, independentemente do país em que o racista resida.”
Ela também anunciou que vai destinar a indenização a uma instituição de combate ao racismo: “Dessa forma, darei um desfecho condizente com o que realmente me fez chegar até aqui como pessoa e profissional: a educação, o respeito e a esperança em uma sociedade verdadeiramente antirracista.” Rodrigo vive nos Estados Unidos, onde atua como guia turístico de brasileiros em Miami.




