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Mestre Sacaca vira enredo da Mangueira em “desfile sensorial”

Escola carioca encerrou primeira noite do Grupo Especial com apresentação sobre curandeiro amapaense, trazendo perfumes diferentes em cada carro alegórico e sons da floresta amazônica

A Estação Primeira de Mangueira apresentou o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra” na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. O desfile aconteceu na madrugada desta segunda-feira (16/02), encerrando a primeira noite de apresentações do Grupo Especial do Carnaval carioca. A escola homenageou o curandeiro e xamã amapaense Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca.

O carnavalesco Sidnei França, em seu segundo ano na verde e rosa, desenvolveu uma experiência que vai além da biografia do homenageado. O desfile explorou a vivência do encanto tucuju por meio de elementos que representam a identidade cultural amapaense.

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A apresentação da Mangueira incorporou estímulos sensoriais para o público presente na Sapucaí. O abre-alas trouxe sons de pássaros e aroma de patchuli, enquanto a última alegoria apresentou sons de onças, macacos e mais pássaros. Os demais carros exalavam perfumes específicos: alfazema no segundo carro, alecrim no terceiro e terra molhada no quinto.

A inspiração para o enredo surgiu durante visitas do carnavalesco ao Amapá, onde ele teve contato com o ambiente característico da região. Esta conexão com o Norte brasileiro foi traduzida em elementos que estimularam múltiplos sentidos.

Mais de 50 integrantes da família de Mestre Sacaca viajaram do Amapá para o Rio de Janeiro para participar do evento. Parte deles desfilou no último carro alegórico, que trazia uma escultura do homenageado cercada por folhas.

A comissão de frente da Mangueira apresentou onças articuladas confeccionadas em isopor com fibra, produzidas por profissionais de Parintins, no Amazonas. Lucas Maciel, um dos coreógrafos da ala, informou que os ensaios com as onças começaram em julho de 2025. As figuras representam uma lenda sobre Mestre Sacaca ter encantado uma onça.

O trabalho quase artesanal dos carros alegóricos e fantasias foi um ponto alto da apresentação. Na comissão de frente, as onças articuladas pareciam até feitas de papel machê. No abre-alas, o trabalho artístico simulou madeira pintada à mão, enquanto materiais dos mais variados foram transformados em detalhes de fantasias.

O samba-enredo “Mestre Sacaca do encanto tucuju o guardião da Amazônia negra” trouxe elementos da cultura amazônica. A composição estabelece uma conexão entre o Morro da Mangueira e o Amapá, chamando a escola de “Estação Primeira do Amapá” em seus versos finais.

Ao final da apresentação, a agremiação conseguiu arrastar uma multidão que deixou frisas e arquibancadas para acompanhar a escola.

Entre os momentos de tensão esteve um carro da Mangueira bateu na base do monumento da Praça da Apoteose durante a dispersão. A alegoria começou a prejudicar a saída de outros carros e os componentes tiveram que desmontá-la para conseguir retirá-la e não prejudicar o andamento do desfile.

A escola fez um desfile grandioso, de plástica caprichada, transportando a Sapucaí para a Amazônia de Mestre Sacaca.

Leia mais: Lula é ovacionado pelo público na Sapucaí durante desfile da Acadêmicos de Niterói

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