A família da atriz francesa Nathalie Baye confirmou neste sábado (18/04) sua morte aos 77 anos. O falecimento aconteceu na sexta-feira (17/04) em Paris. A artista construiu uma trajetória de cinco décadas no cinema, participando de mais de 80 filmes.
Segundo comunicado dos familiares divulgado à agência AFP, Baye enfrentava a doença de Lewy desde 2025. A condição representa a segunda forma mais comum de demência degenerativa, ficando atrás apenas do Alzheimer.
A doença é marcada pelo acúmulo anormal da proteína alfa-sinucleína no cérebro. Esse processo forma depósitos chamados “corpos de Lewy” que interrompem a comunicação entre os neurônios. A patologia afeta simultaneamente as funções mentais e o controle físico.
Baye iniciou sua trajetória nos anos 1970 na série televisiva “Au théâtre ce soir”. Sua ascensão definitiva aconteceu com François Truffaut em “A Noite Americana”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Na década seguinte, tornou-se presença constante em festivais internacionais. Trabalhou com diretores como Maurice Pialat e Claude Sautet. Em 1985, protagonizou “Détective”, de Jean-Luc Godard, que integrou a seleção oficial de Cannes.
A atriz interpretou uma camponesa do século XVI em “O Retorno de Martin Guerre”, de 1982. Este papel inspirou anos depois a versão hollywoodiana estrelada por Jodie Foster.
Baye conquistou o público global ao interpretar a mãe de Leonardo DiCaprio em “Prenda-me se for Capaz”, de Steven Spielberg. Em 2022, encarnou a aristocrata Madame de Montmirail em “Downton Abbey: Uma Nova Era”.
Na televisão, cativou novas gerações na série “Dix pour cent”. Atuou ao lado da filha Laura Smet, também atriz, em uma versão ficcional de sua própria relação familiar.
A artista recebeu sete indicações ao prêmio César ao longo da carreira. Venceu em quatro ocasiões — duas vezes como Melhor Atriz e duas como Atriz Coadjuvante.
Em 2009, o governo francês concedeu a Baye a Ordem Nacional da Legião de Honra no grau de Cavaleira. A distinção reconheceu a excelência de seu trabalho no cinema e na cultura francesa.




