O cinema brasileiro viveu uma noite de celebração de sua trajetória neste domingo (15/03) em Los Angeles, mesmo deixando a 98ª cerimônia do Oscar sem estatuetas. O aclamado “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, havia feito história ao igualar o recorde de indicações estabelecido por “Cidade de Deus” (2004) ao concorrer em quatro categorias, mas não conseguiu superar o favoritismo de seus adversários.
Na aguardada disputa de Melhor Filme Internacional, o troféu acabou ficando com o drama norueguês “Valor Sentimental”, de Joachim Trier. O resultado confirmou as previsões de revistas especializadas, como a Variety e o The Hollywood Reporter, que já apontavam o longa europeu como o vencedor iminente, em especial após o seu triunfo no Bafta britânico semanas antes.
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Apesar da ausência de prêmios, a produção brasileira — que acompanha a fuga do professor Marcelo durante o carnaval recifense de 1977, sob as tensões da ditadura militar — manteve o Brasil sob os holofotes nas outras grandes categorias da noite.
Na concorrida corrida por Melhor Ator, Wagner Moura viu a estatueta ir para Michael B. Jordan, coroado por seu trabalho no filme “Pecadores”. A obra norte-americana, dirigida por Ryan Coogler, dominou a premiação e também levou a melhor na estreante categoria de Melhor Direção de Elenco, superando a elogiada e vasta seleção de atores do suspense brasileiro.
Na categoria máxima da noite, a de Melhor Filme, na qual “O Agente Secreto” estabeleceu o marco de ser apenas o segundo título na história em que o Brasil disputou o prêmio principal, a vitória foi para “Uma Batalha Após a Outra”.
Ainda que os concorrentes tenham levado a melhor, “O Agente Secreto” encerra a temporada de premiações com um legado inegável: além de prêmios de direção e ator conquistados em Cannes, o longa ostentou impressionantes 98% de aprovação da crítica especializada no Rotten Tomatoes.
Somado aos números, a obra desfrutou de uma campanha calorosa e simpática que gerou um forte engajamento digital e contagiou o público estrangeiro. Essa presença massiva demonstra que, na esteira da histórica estatueta conquistada por “Ainda Estou Aqui” em 2025, o cinema brasileiro se firmou definitivamente como uma realidade muito competitiva na principal vitrine da indústria audiovisual.




