Perícia particular contradiz laudo oficial e aponta assassinato de PC Siqueira

Ex-perito com 30 anos de experiência afirma que lesões no pescoço são incompatíveis com cinta de catraca apreendida pela polícia

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: pecesiqueira no Instagram)

A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte do influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira. Uma perícia particular concluiu que ele foi assassinado por estrangulamento com fio de fones de ouvido. O criador de conteúdo tinha 37 anos quando foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023.

O parecer privado contradiz os laudos oficiais do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC). Os órgãos da Polícia Técnico-Científica concluíram em 2025 que PC Siqueira cometeu suicídio por enforcamento com cinta de catraca.

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Perícia particular contesta conclusão oficial

Francisco João Aparício La Regina elaborou o documento de 48 páginas. O ex-perito da Polícia Técnico-Científica e professor com três décadas de experiência foi contratado pelos advogados da família do influenciador, Caio Muniz e Geraldo Bezerra da Silva Filho.

O parecer afirma que as lesões no pescoço de PC Siqueira são incompatíveis com a cinta de catraca laranja. O objeto foi inicialmente apreendido pela perícia oficial. Segundo o documento, as marcas seriam compatíveis com um fio preto de fones de ouvido encontrado no apartamento.

A análise pericial privada foi finalizada em março de 2026. Os advogados da família recolheram o material e entregaram ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.

O perito responsável e os advogados da família informaram ao g1 que não podem fazer comentários sobre o caso. Eles alegaram que o inquérito tramita sob segredo de Justiça.

Ministério Público mantém investigação aberta

O Ministério Público identificou dúvidas nos laudos e contradições em depoimentos. A Promotoria não autorizou o arquivamento definitivo do inquérito. A Polícia Civil havia concluído o caso como suicídio.

A Justiça determinou a continuidade da investigação no fim de 2025. A Polícia Técnico-Científica realizou uma reconstituição no prédio onde o influenciador morava em 20 de janeiro de 2026. O apartamento fica no bairro Campo Belo, Zona Sul de São Paulo.

Maria Luiza Lopes Watanabe, ex-namorada do criador de conteúdo, participou de uma acareação por videoconferência em 30 de janeiro de 2026. Uma vizinha também foi ouvida. A divergência entre os depoimentos era sobre o horário do pedido de ajuda.

Maria Luiza não participou da reconstituição realizada em janeiro de 2026. Ela alegou motivos pessoais.

Depoimentos apresentam versões diferentes

Maria Luiza foi ouvida como testemunha. Ela declarou à Polícia Civil que tentou salvar PC Siqueira, mas não obteve êxito. A ex-namorada relatou que saiu do apartamento gritando no corredor e pedindo ajuda. Segundo depoimentos, PC teria se matado na frente de Maria Luiza. Ela disse que ele afirmou que queria se matar e que não conseguiu impedir.

Uma vizinha afirmou que ouviu os gritos. A testemunha encontrou o influenciador enforcado com a cinta laranja. Ela disse ainda que ligou para a Polícia Militar e cortou o objeto com uma faca para tentar socorrê-lo.

Amigos relataram à polícia que o relacionamento era marcado por discussões. Algumas foram transmitidas ao vivo nas redes sociais. Um amigo afirmou que se relacionou com a ex-namorada após o término. O fato teria irritado o influenciador. O relacionamento entre PC e Maria Luiza havia terminado dois dias antes da morte.

A advogada de Maria Luiza, Clarissa Azevedo, divulgou nota neste mês:

“A defesa acompanha a investigação com tranquilidade e confia no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Ressalta, ainda, que o inquérito tramita sob sigilo, razão pela qual manifestações públicas devem ser feitas com cautela.

A posição da defesa é clara no sentido de que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. Nesse sentido, importa destacar que, até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais apontando morte por enforcamento.

Destaque-se que estes laudos oficiais são elaborados pelos órgãos do Estado, sendo exames realizados com critérios técnicos, imparcialidade e controle institucional.

Já eventuais pareceres particulares, ainda que possam ser juntados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, razão pela qual não possuem o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial.

Observa-se, por fim, que parte das acusações se apoia em relatos indiretos e versões que apresentam divergências entre si, sem respaldo nos elementos constantes dos autos, o que já vem sendo esclarecido pela defesa ao longo da investigação.”

A ex-namorada de PC foi procurada pelo g1, mas não houve retorno.

O Ministério Público determinou que a Polícia Civil encaminhe o fio dos fones de ouvido ao IML e ao IC. Os peritos oficiais devem realizar comparação entre o objeto e os ferimentos identificados em PC Siqueira.

A exumação do corpo é impossível devido ao tempo decorrido desde a morte. A nova análise será realizada com base em fotografias do cadáver produzidas pela perícia na época. O novo laudo pericial solicitado pelo Ministério Público ainda não foi concluído.

Pessoas próximas ao influenciador poderão ser investigadas. A polícia passou a investigar outras hipóteses. Entre elas estão instigação ao suicídio, homicídio com simulação de suicídio e omissão de socorro. O caso permanece em aberto para a polícia, o Ministério Público e a Justiça. Não há suspeitos formalmente identificados.

PC Siqueira foi um dos primeiros criadores de conteúdo digital a alcançar projeção no Brasil. Ele ganhou destaque principalmente no YouTube. O influenciador também apresentou programas em canais de televisão, como a MTV.

Antes da morte, PC era alvo de uma investigação por suspeita de divulgação de imagens de abuso sexual infantil. A investigação foi aberta após o vazamento de mensagens privadas em 2020. Laudos posteriores não encontraram esse tipo de material nos computadores apreendidos. PC sempre negou as acusações.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o caso foi relatado em junho de 2024 por extinção da punibilidade. Com a morte do influenciador, o procedimento seria arquivado sem conclusão judicial.

A família agradeceu as manifestações de solidariedade após a morte. Pediu respeito ao período de luto. A família informou que desenvolve uma série documental sobre a trajetória do influenciador.

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