A Polícia Federal (PF) interrompeu as filmagens da série “Aeroporto: Área Restrita” em diversos terminais aeroportuários brasileiros. A decisão foi comunicada na sexta-feira (31/01), afetando diretamente a produção da oitava temporada do programa, que já contava com permissões para captação de imagens nos aeroportos de Viracopos, Galeão e Pinto Martins.
A medida ocorreu após a PF negar credenciais para a equipe da produtora Moonshot acessar setores restritos do Aeroporto de Guarulhos e cancelar autorizações previamente concedidas para outros terminais. O órgão justificou a ação como cumprimento de regulamentações de segurança.
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Segundo a PF, a decisão “decorre do estrito cumprimento de normas constitucionais, legais e regulamentares que regem a segurança da aviação civil no Brasil”. A corporação baseou sua determinação no Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil contra Atos de Interferência Ilícita (PNAVSEC), estabelecido pelo Decreto nº 11.195/2022, e em diretrizes da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
A PF esclarece que “As Áreas Restritas de Segurança são classificadas como zonas prioritárias de risco, sujeitas a rigorosos controles de acesso, limitados exclusivamente a pessoas com necessidade operacional ou funcional, não se enquadrando atividades de entretenimento ou produção audiovisual nesse critério”.
A Moonshot havia iniciado as gravações da oitava temporada em dezembro de 2025, contando com a colaboração de entidades como Anvisa, Vigiagro, Ibama, Receita Federal, Polícia Militar dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além das administradoras Fraport e RIOgaleão.
Em janeiro de 2026, a PF revogou as credenciais já emitidas e negou novas autorizações para a equipe de produção. As filmagens aconteciam em zonas de segurança de aeroportos federais, incluindo Guarulhos, Viracopos, Galeão e Pinto Martins.
A produtora contesta a decisão e destaca seu histórico de conformidade com as normas. “Ao longo de sete temporadas consecutivas, produzidas desde 2016, a Polícia Federal analisou e aprovou as credenciais de todos os profissionais envolvidos na produção do programa Aeroporto: Área Restrita, permitindo a realização integral das filmagens sem que tenha sido registrado qualquer incidente ou comprometimento da segurança aeroportuária”, afirma a Moonshot em comunicado.
A PF, por sua vez, informa que não participa do programa televisivo “há anos” e tem mantido consistentemente o entendimento pelo indeferimento de solicitações dessa natureza. A corporação explica que “Essas decisões refletem o entendimento consolidado de que a presença permanente de equipes de filmagem em áreas operacionais restritas é incompatível com os princípios da preservação da intimidade, da imagem e da presunção de inocência dos cidadãos abordados, bem como com a necessidade de resguardar técnicas, rotinas e meios empregados na repressão a ilícitos penais, especialmente em ambiente aeroportuário”.
O órgão federal também esclarece que reconhece as atribuições da Receita Federal como autoridade aduaneira, mas ressalta que estas não se confundem com a responsabilidade constitucional da PF pela supervisão da segurança aeroportuária, que prevalece em Áreas Restritas de Segurança, inclusive em recintos alfandegados.
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