O Carnaval de 2026 já tem seu hino definido: “Vampirinha”, a nova faixa de Ivete Sangalo, consolidou-se como o grande sucesso da temporada. No entanto, a repercussão da música ultrapassou os trios elétricos e chegou à esfera jurídica, gerando um debate sobre liberdade artística, duplo sentido e proteção à infância.
Em entrevista recente à TMC, o renomado produtor musical Beto Neves — vencedor de três Grammys Latinos e colaborador de longa data de Ivete — detalhou os bastidores da criação da faixa e defendeu a obra das acusações recentes.
Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo
Bastidores: tecnologia e a energia do “ao vivo”
Segundo Beto Neves, a criação de “Vampirinha” não foi um processo linear. A música, uma composição coletiva de Ivete com amigos, exigiu três versões diferentes até chegar ao formato final.
Inicialmente, a cantora gravou a faixa em seu estúdio caseiro, mas sentiu que o registro não capturava a “brincadeira” e a energia necessárias para o Carnaval. A solução encontrada foi técnica e logística: aproveitar uma participação de Ivete no show do cantor Xanddy, em Salvador, para captar os vocais ao vivo.
A polêmica e a denúncia do Ministério Público
Apesar do êxito popular, “Vampirinha” tornou-se alvo de uma ação do Ministério Público da Bahia. A denúncia ocorreu após uma criança subir ao palco durante um show da artista enquanto a música era executada.
O ponto central da controvérsia reside na letra, que utiliza figuras de linguagem típicas do Carnaval. O refrão, que faz alusão a uma vampira (“vou te chupar”), foi interpretado pelas autoridades como impróprio para menores devido à conotação sexual do duplo sentido.
A defesa da Indústria: “hipocrisia” e tradição carnavalesca
Questionado sobre a denúncia, Beto Neves classificou a reação como “hipocrisia” e defendeu a natureza lúdica da festa. O produtor argumentou que o Carnaval brasileiro é historicamente construído sobre músicas de duplo sentido e brincadeiras maliciosas, citando exemplos clássicos como “A Pipa do Vovô” (Silvio Santos), “Na Boquinha da Garrafa” (Companhia do Pagode) e as obras de Genival Lacerda.
“A música de Carnaval tem a função da brincadeira, da festa. Ninguém vai para o Carnaval ouvir música clássica”, afirmou Neves.
Para o produtor, a polêmica reflete um momento de polarização e ataques infundados, desconsiderando a trajetória de mais de 25 anos de Ivete Sangalo, marcada pela versatilidade de gêneros. Ele sustenta que a faixa é uma fantasia carnavalesca e que a interpretação maliciosa, embora exista no contexto adulto, não deve criminalizar a performance artística no contexto da folia.
Leia mais: Escultura do Galo da Madrugada homenageia Dom Helder Câmara no Carnaval 2026
