No Imprevista, podcast apresentado por Joana Treptow, a psicóloga Pamela Magalhães abriu espaço para uma conversa profunda sobre saúde emocional, solidão e o desafio de cuidar de si mesma enquanto acolhe milhões de pessoas. Entre relatos pessoais e reflexões profissionais, ela destacou que o autocuidado não é intuitivo, é aprendido, muitas vezes a partir da dor.
Ao responder quem cuida de quem cuida, Pamela foi direta: aprendeu a se cuidar. A partir de experiências marcadas por solidão, frustração e busca por pertencimento, ela construiu um caminho baseado na escuta e no acolhimento, primeiro de si, depois do outro. Segundo ela, ensinar as pessoas a se acolherem é mais importante do que tentar “dar colo” individualmente, algo inviável diante do alcance que conquistou.
Durante a conversa, a psicóloga também chamou atenção para o que define como duas grandes crises contemporâneas: a saúde mental e a solidão. Para ela, o avanço da tecnologia e das relações mediadas por telas tem ampliado o isolamento e dificultado conexões reais, afetando diretamente a forma como as pessoas lidam com emoções e constroem vínculos.
Pamela relembrou ainda a própria infância e adolescência, marcadas por dificuldades emocionais pouco percebidas por quem estava ao redor.
“Nem toda dor é visível”, reforçou ao explicar que muitas pessoas conseguem manter uma aparência de normalidade enquanto enfrentam sofrimento intenso internamente, um padrão comum em casos de ansiedade e depressão.
Outro ponto central da entrevista foi a intolerância nas relações. Para a psicóloga, a dificuldade de lidar com opiniões diferentes está diretamente ligada à falta de autoconhecimento e inteligência emocional. Segundo ela, quanto menos uma pessoa se compreende, maior a tendência de se sentir ameaçada pelo outro.
Apesar dos temas densos, a conversa também trouxe uma visão mais esperançosa. Pamela defendeu que o sofrimento faz parte da experiência humana, mas que a forma de lidar com ele pode ser transformada. Para isso, destacou a importância de reconhecer emoções, buscar ajuda quando necessário e desenvolver relações mais genuínas.
Ao longo do episódio, uma ideia se manteve como fio condutor: a de que o cuidado começa de dentro. Em um cenário de relações cada vez mais frágeis e aceleradas, a capacidade de se ouvir, se acolher e se compreender pode ser o primeiro passo para uma vida emocional mais saudável e, consequentemente, para relações mais consistentes.
Assista a entrevista no YouTube ou em sua plataforma de podcasts favorita.




