A campeã do Carnaval carioca de 2026, a Unidos do Viradouro, levou para a Marquês de Sapucaí um enredo que celebrou a trajetória de Mestre Ciça, um dos nomes mais respeitados da bateria no Rio de Janeiro. Aos 69 anos, Moacyr da Silva Pinto — seu nome de batismo — tornou-se símbolo de dedicação, disciplina e longevidade no samba.
Além de ser o homenageado do desfile, Ciça também comandou a bateria da escola na avenida, vivendo um feito raro: ser tema do enredo e, ao mesmo tempo, liderar os ritmistas na Sapucaí. Com o resultado da apuração, a Viradouro conquistou o título de 2026.
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Cinco décadas de avenida
Ciça iniciou sua trajetória no Carnaval em 1971, como passista da então Unidos de São Carlos, atual Estácio de Sá. Depois, tornou-se ritmista, tocando agogô de duas bocas.
Em 1977, chegou a se afastar da folia a pedido da primeira esposa, mas retornou em 1986, novamente na Estácio. Dois anos depois, foi convidado para assumir como mestre de bateria. Estreou oficialmente no cargo em 1989 e, em 1992, ajudou a escola a conquistar o título com o enredo “Pauliceia Desvairada”.
Passagens por grandes escolas
Ao longo da carreira, Ciça passou por agremiações tradicionais, como Unidos da Tijuca e Acadêmicos do Grande Rio.
Sua primeira passagem pela Unidos do Viradouro começou em 1999 e durou até 2009. Ele retornou à escola em 2019 e participou diretamente das conquistas dos carnavais de 2020, 2024 e, agora, 2026.
Considerado o mestre de bateria mais longevo em atividade, Ciça acumula cerca de 40 anos na função.
O enredo campeão
O desfile da Viradouro celebrou a história de vida do mestre como exemplo de resistência e liderança no samba. O samba-enredo “Para cima, Ciça!” exaltou sua contribuição ao Carnaval e reforçou a ideia de que seu legado é permanente.
Durante a apresentação, Ciça reeditou uma cena marcante de 2007 ao reger a bateria do alto de um carro alegórico. Também desfilou com a comissão de frente antes de retornar ao início da pista para comandar os ritmistas.
Promessa após o título
Antes de a escola entrar na avenida, Ciça fez uma promessa: se a Viradouro fosse campeã, ele deixaria de fumar. Após a confirmação do título, emocionado, afirmou que cumprirá o compromisso.
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— Esse choro é de alegria. Venceu o sambista, venceu o Carnaval — declarou, ao celebrar a conquista no que chamou de “maior Carnaval do mundo”.
Com cinco décadas dedicadas à avenida, Mestre Ciça consolida seu nome como uma das principais referências da história recente do Carnaval do Rio.
