A Roblox, uma das maiores plataformas digitais do mundo entre o público infanto-juvenil, implementou neste mês uma nova política de segurança que está redesenhando a forma como crianças e adolescentes interagem no ambiente virtual. As mudanças, que visam proteger menores de idade contra predadores, geraram uma reação imediata e inusitada: uma série de protestos organizados pelos próprios jogadores dentro do ambiente do game.
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O que mudou na plataforma?
A principal alteração diz respeito ao uso do chat de voz e texto. De acordo com as novas diretrizes, usuários menores de 16 anos terão restrições severas para se comunicar com adultos. O sistema agora funciona por faixas etárias:
- Crianças menores de 9 anos: só podem utilizar o chat com autorização expressa dos responsáveis.
- Maiores de 13 anos: só poderão conversar com usuários de idades próximas.
- Verificação facial: para garantir o cumprimento das regras, a plataforma passou a exigir uma verificação de idade através de um sistema de reconhecimento facial 3D.
A empresa afirma que as imagens coletadas para a verificação são apagadas após a análise e que a medida faz parte de um esforço global para evitar que predadores utilizem o anonimato para vitimar menores.
A “Revolta do Roblox”
A medida não foi bem recebida por uma parcela da comunidade. Nos últimos dias, o jogo tornou-se palco de manifestações virtuais. Avatares carregando cartazes com frases como “Quero injustiça” e referências culturais, como a música Cálice, de Chico Buarque, ocuparam as “ruas” digitais da plataforma.
Até mesmo influenciadores que defendem a segurança infantil, como Felca, tornaram-se alvos. O criador de conteúdo relatou ter recebido ameaças e mensagens de ódio de usuários que se sentiram prejudicados pelas novas restrições.
O olhar do especialista: riscos e desafios
Em entrevista ao Link TMC, Fernando Lino, especialista em segurança digital para famílias, explicou que a Roblox não é um jogo único, mas uma plataforma que abriga milhões de jogos criados pela comunidade. Essa diversidade é justamente o que atrai tanto o público quanto os perigos.
“O grande problema é a interação entre adultos e crianças sem nenhum tipo de supervisão. Predadores usam estratégias como dar presentes ou dicas de jogos para se aproximar das crianças através do chat”, pontuou Lino.
Apesar de considerar a restrição do chat um avanço, o especialista levantou uma preocupação sobre a privacidade dos dados: “Existe uma incógnita sobre a eficiência dessa verificação por imagem. No ano passado, houve casos de vazamentos de imagens de menores em países onde essa regra foi testada. Milhões de crianças estão tendo seus rostos escaneados e não sabemos exatamente para onde vão essas informações no futuro“.
Dicas para pais e responsáveis
Para Fernando Lino, a proibição total nem sempre é o melhor caminho, mas o envolvimento dos pais é indispensável. “Muitos pais dão consentimento para os filhos jogarem apenas para não serem incomodados, sem saber o que está acontecendo ali dentro”, alerta.
A orientação para as famílias inclui:
- Interesse real: entender como a plataforma funciona e quais jogos o filho frequenta.
- Configurações de segurança: utilizar as ferramentas de supervisão parental que a própria plataforma oferece, mas que muitos pais desconhecem.
- Ambiente controlado: seguir o exemplo de boas práticas, como permitir que as crianças joguem apenas com amigos conhecidos da escola ou do condomínio, mantendo o chat com estranhos desativado.
Entenda o fenômeno
Criada em 2006, a Roblox explodiu em popularidade durante a pandemia. Ao final de 2025, a plataforma contava com mais de 151 milhões de usuários ativos diários, tornando-se um ecossistema social e econômico fundamental para a nova geração.
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