Bloco “Suvaco do Cristo” fez último desfile após 40 anos brilhando no Carnaval do Rio

Agremiação que ajudou a revitalizar o carnaval de rua carioca encerrou atividades e prepara museu virtual em parceria com a UFRJ

Por Redação TMC | Atualizado em
Com o fim dos desfiles, "Suvaco do Cristo" passa a se dedicar a museu virtual. (Fernando Maia/ Riotur)

O bloco “Suvaco do Cristo” realizou o último desfile neste domingo (8), no Rio de Janeiro, encerrando quatro décadas de participação no carnaval carioca. O cortejo final saiu às 8h da Rua Faro, reunindo foliões, músicos e baianas que celebraram a história da agremiação que ajudou a revitalizar o carnaval de rua da cidade.

A decisão de encerrar as atividades foi tomada após o grupo completar 40 anos de existência. O bloco agora concentra esforços na criação de um museu virtual para preservar sua memória histórica, em parceria com o Instituto de Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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O Suvaco do Cristo surgiu nos anos 1980, criado por um grupo de amigos moradores do Jardim Botânico. O nome irreverente faz referência à localização do bairro, que fica sob uma das “axilas” do Cristo Redentor.

Durante o último desfile, os participantes puderam ouvir sambas emblemáticos do repertório do bloco, como “Divinas Axilas” (1986), “Pirâmide 88” (1988) e “Eco no Ar” (1992). Essas composições contaram com a participação de artistas como Lenine, Mu Chebabi e Xico Chaves.

A agremiação se tornou um dos símbolos da retomada do carnaval de rua no Rio, especialmente a partir dos anos 1990.

Motivações

Entre os motivos para o fim do bloco está a dificuldade da atual diretoria em continuar organizando as atividades. Segundo publicação do Jornal O Globo, a maior parte das tarefas se concentrava em apenas duas pessoas.

Apesar do encerramento, o Suvaco do Cristo fez inscrição na Riotur para o Carnaval de 2026, seguindo o procedimento formal adotado todos os anos junto aos demais blocos que solicitam autorização para desfilar.

Museu virtual preservará história do bloco

O último desfile foi documentado em vídeo pela Casé Filmes, com roteiro desenvolvido pelos jornalistas Aydano André Motta e Leonardo Bruno. Este material será elemento central na narrativa sobre a história do bloco no futuro museu virtual.

O trabalho de preservação da memória está sendo coordenado pela professora Anamaria Martins Moreira, do Departamento de Computação da UFRJ. O projeto envolve estudantes de diferentes áreas acadêmicas, incluindo computação, história, história da arte e comunicação.

O site do bloco já disponibiliza parte do conteúdo histórico, incluindo material do primeiro desfile realizado em 1986. A expectativa é que o museu completo fique disponível ainda em 2026, com acesso gratuito para pesquisadores e público em geral.

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