Narrativas protagonizadas por frutas animadas através de Inteligência Artificial viralizaram nas redes sociais. Os vídeos apresentam tramas com violência doméstica, misoginia e relacionamentos abusivos. Especialistas alertam que a aparência infantil dos personagens atrai crianças e adolescentes para conteúdos problemáticos.
Perfis no TikTok e Instagram produzem narrativas de aproximadamente 60 segundos com frutas animadas por IA. Os vídeos simulam novelas e programas de auditório brasileiros. Personagens como Abacatudo, Moranguete e Bananildo protagonizam histórias que retratam término de relacionamento por gordofobia, agressões por recusa em preparar refeições e conflitos em festas. O levantamento foi feito pelo g1.
A estética remete a desenhos animados infantis. Os diálogos incluem palavrões e discursos preconceituosos. Combinados, os conteúdos somam cerca de 30 milhões de curtidas.
@abacatudoemoranguete Parte 1: Ele abandonou o filho só por causa da mancha#frutinhas #abacatudo #moranguete#historia#frutas ♬ som original – Abacatudo e Moranguete🥑🍓
Tendência surgiu como adaptação de conteúdos internacionais
Usuários apontam o perfil “AI.Cinema021” como um dos precursores dessa modinha no TikTok. O perfil viralizou em março de 2026 ao adaptar o formato do reality show britânico “Love Island” para o universo das frutas. O resultado foi uma explosão de audiência que ultrapassou os 2,5 milhões de seguidores.
As versões brasileiras ganharam força posteriormente. Criadores adaptaram o conceito com gírias e cenários locais. Influenciadores digitais passaram a produzir versões “live-action” das tramas, pintando os próprios rostos para encenar os diálogos.
No último domingo (05/04), o perfil oficial do Flamengo surfou na onda após a vitória sobre o Santos. Empresas como Carrefour, Burger King e a Prefeitura de Salvador também aderiram à tendência nas redes sociais.
Cursos ensinam produção de vídeos virais
Na plataforma Hotmart, o “Método Frutas Virais” é ofertado por diferentes vendedores por valores entre R$ 6,90 e R$ 47. A promessa é ensinar qualquer aluno a “criar personagens que prendem a atenção” e “montar cenas com alto potencial de viralização”. Os métodos prometem capacitar usuários a transformar perfis em “máquinas de conteúdo” no anonimato, “sem precisar aparecer”.
Os cursos prometem ensinar a monetização em dólar para fazer uma “renda extra”. A viralização impulsionou a criação desses cursos. A possibilidade de monetização em plataformas digitais motivou a proliferação de perfis dedicados ao formato.
Os conteúdos são produzidos por criadores anônimos. Eles utilizam ferramentas de IA para gerar os personagens e as vozes sintéticas. Usuários gravam vídeos fazendo referências aos personagens em hortifrutis e feiras.




