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Wagner Moura diz temer encontro com ICE nos EUA e compara situação com Brasil

Indicado ao Oscar por O Agente Secreto declara ao jornal "El País" que agentes podem matar e traça paralelos entre ataques a artistas nos dois países

Indicado ao Oscar, o ator Wagner Moura afirmou ter medo de um eventual encontro com um agente do ICE, a polícia imigratória dos Estados Unidos, e fez um comparativo entre Brasil e o país norte-americano, em entrevista ao jornal espanhol “El País”, publicada na quarta-feira (19/02).

O brasileiro, indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo filme “O Agente Secreto”, manifestou preocupação com as políticas implementadas pelo governo de Donald Trump.

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Moura afirmou temer sua própria reação caso se depare com agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos). O ator, que reside atualmente no país norte-americano, expôs suas preocupações sobre o clima político e as ações de repressão migratória no território estadunidense.

O artista explicou que sua personalidade o leva a reagir de forma intensa diante de situações que considera injustas ou autoritárias. Moura questionou se conseguiria manter esse comportamento diante dos agentes de imigração.

“Estamos atravessando um momento muito feio. Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, disse o ator.

Moura estabeleceu comparações entre a situação nos Estados Unidos e o que ocorreu no Brasil. O ator apontou que artistas, jornalistas e universidades se tornaram alvos de ataques em ambos os países.

“Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades. A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”, explicou.

Segundo Moura, no Brasil, a extrema direita conseguiu transformar artistas em figuras vistas como inimigas da população.

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Análise sobre redes sociais

O ator também comentou sobre a transformação do papel das redes sociais na última década. Moura mencionou que há aproximadamente dez anos, no Brasil, havia expectativa de que plataformas como o Facebook funcionassem como instrumentos de conexão e democratização da informação.

“Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”, afirmou.

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