Dizem que no futebol não existe “derrota honrosa”, mas quem assistiu ao embate entre Santos e Flamengo na última rodada sabe que o placar final não conta a história toda. Sim, os três pontos ficaram com o Rubro-Negro, mas o que se viu em campo foi um sinal de vida — e de evolução — que o torcedor santista há muito não presenciava.
A Era da Competitividade
A principal mudança não foi tática ou técnica, mas postura. Sob o comando de Cuca, o Santos deixou de ser aquele time passivo que aceitava o domínio adversário para se tornar uma equipe “cascuda”. Mesmo diante de um dos elencos mais caros do continente, o Peixe mordeu os calcanhares, fechou espaços e, por longos períodos, ditou o ritmo da partida com uma organização defensiva que parecia esquecida na Vila Belmiro.
A competitividade resgatada por Cuca mostra que o grupo entendeu o recado: talento sem entrega não vence jogos, mas entrega com organização pode equilibrar montanhas.
Vida Sem o Menino da Vila
É impossível não falar da ausência de Neymar. Ter o craque em campo é, naturalmente, contar com o fator imprevisto, com a genialidade que resolve jogos em um lance. Porém, a “Neymardependência” muitas vezes mascara deficiências coletivas.
Preenchimento de meio-campo: O time jogou mais compactado.
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Transições rápidas:
A aposta foi na velocidade das pontas, sem centralizar todas as decisões em um único jogador.
Solidez defensiva: Sem a liberdade total de Neymar na frente, o bloco de marcação começou mais alto, protegendo melhor a meta santista.
O resultado foi amargo, mas o desempenho deixou um gosto de otimismo. Se o Santos mantiver o nível de intensidade e a disciplina tática demonstrada contra o Flamengo, a tabela logo começará a refletir o que vimos no gramado. Cuca parece ter encontrado a liga necessária para fazer esse time brigar no topo.
O Peixe perdeu o jogo, é verdade. Mas pode ter reencontrado sua identidade.