A passagem de Jairzinho pela África do Sul

Campeão do mundo em 1970, Jairzinho teve passagem impactante, mas disputou apenas um jogo oficial pelo Kaizer Chiefs

Por Victor Godoy | Atualizado em
(Foto: Rolando de Freitas/AGE/Acervo Estadão Conteúdo)

Nesta quinta-feira (11/06), México e África do Sul dão o pontapé inicial na Copa do Mundo 2026. O Brasil estreia apenas no sábado (13/06), porém teve sua influência no futebol do país africano na figura do atacante Jairzinho, que defendeu o Kaizer Chiefs em 1975.

Campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1970, Jairzinho teve uma breve aventura em solo francês entre 1974 e 1975 defendendo o Olympique de Marseille, que desembolsou 1,25 milhão de francos suíços para contratá-lo, mesmo aos 30 anos. Tratado como grande reforço, 10 mil torcedores compareceram para sua apresenção. Além dele, o Marseille também acertou com o meia Paulo Cézar Caju.

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Com nove gols em 18 jogos, o casamento acabou de forma amarga após a eliminação da equipe para o Paris Saint-Germain na Copa da França que terminou em confusão. Jairzinho e Caju foram culpados por supostas agressões aos árbitros da partida e foram suspensos por um ano, além de mais um em condicional. O caso findou a passagem do campeão mundial no Velho Continente.

Não entendo o que aconteceu. O público não viu, a televisão não mostrou as imagens. É uma pena que tenha sido assim… Não pude continuar jogando na França. Fiquei triste porque Marselha era como minha segunda cidade”, protestou Jairzinho em entrevista ao jornal francês L’Équipe, em 2022.

Da França à África do Sul

Enquanto Jairzinho, Pelé e companhia encantavam o globo na Copa do Mundo de 1970, o Kaizer Chiefs era fundado pelo então jogador Kaizer Motaung – que, sim, batizou o clube com seu próprio nome. O clube servia como uma forma dele e outros jogadores manterem a forma física durante a pausa do futebol dos Estados Unidos, onde defendia o Atlanta Chiefs – que, sim, deu a segunda parte do nome do clube sul-africano.

Sem clube, Jairzinho foi convidado por Ewert Nene, que fundou o Kaizer Chiefs junto de Motaung. “Posso dizer que tenho memórias maravilhosas de meu tempo na África do Sul. A atmosfera no estádio foi fantástica. Quando entrei em campo, foi lindo olhar para todos os torcedores que vieram e estavam me aplaudindo“, disse o brasileiro em entrevista ao portal sul-africano Soccer Laduma, em 2016.

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“Os torcedores do Chiefs e o clube foram muito hospitaleiros comigo. Tive uma grande recepção! Havia uma grande multidão no aeroporto na minha chegada e fui tratado como um rei!”, complementou.

Neste contexto, Jairzinho assinou um contrato até o fim daquele ano para vestir a camisa 7 do Kaizer Chiefs. O mesmo Soccer Laduma define a passagem do atacante como um “flop”. Embora tenha sido festejado, o portal da África do Sul destacou que o campeão do mundo estava “fora de condições” e “teve pouco impacto”.

Jairzinho disputou apenas um jogo oficial pelo Kaizer Chiefs: a eliminação da equipe nas oitavas de final da copa local para o Moroka Swallows Limited por 2 a 0. Foram sete gols em

Retorno ao Brasil

Sem tanto sucesso, Jairzinho retornou ao Brasil e assinou com o Cruzeiro no início de 1976. Foram 31 gols em 43 jogos pelos mineiros, com a conquista da Copa Libertadores.

Depois, Jairzinho passaria por outras equipes brasileiras e até o Jorge Willstermann, da Bolívia. O campeão da Copa do Mundo pendurou as chuteiras em 1981.

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Já o Kaizer Chiefs se consolidou como um dos maiores times da África do Sul, com 13 títulos da liga e outras 14 conquistas da copa local.

O apartheid e o futebol na África do Sul

Além de ser um marco para o futebol no país, a chegada de Jairzinho também teve impacto extra-campo, uma vez que a África do Sul vivia o regime do apartheid e o brasileiro esbanjava sua negritude com o tradicional corte de cabelo “black power”.

Até 1991, quando o regime foi extinto, haviam duas ligas, federações e até seleções da África do Sul: uma para brancos e outras para negros. A Federação Branca chegou a ser reconhecida pela Fifa em alguns momentos, mas acabou sendo banida definitivamente em 1976 após o massacre de Soweto.

Ao fim do apartheid, o futebol sul-africano tomou forma e agora o país se prepara para sua quarta Copa do Mundo. Antes de ter sido sede em 2010, o país também participou das edições de 2002 e 1998 do Mundial.

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